sábado, 15 de março de 2008

Contra-Reforma: Do Arianismo até o Nestorianismo




Arianismo (Séc. IV) Uma das maiores heresias que a Igreja teve que confrontar foi o Arianismo. Arius ensinava que Cristo não era Deus e sim uma criatura feita por Deus. Ao disfarçar sua heresia usando uma terminologia ortodoxa ou semi´ortodoxa, ele foi capaz de semear grande confusão na Igreja, conquistando o apoio de muitos Bispos e a rejeição de alguns. O Arianismo foi solenemente condenado no ano 325 pelo Primeiro Concílio de Nicéia, o qual definiu a divindade de Cristo e no ano 381 pelo Primeiro Concílio de Constantinopla, o qual definiu a divindade do Espírito Santo. Esses dois Concílios deram origem ao Credo Niceno que os Católicos recitam nas Missas Dominicais. · Os ´Testemunhas de Jeová´ têm esta crença, assim como os Unitarianos.



Pelagianismo (Séc. V) Pelagius, um monge gaulês deu início a essa heresia que carrega seu nome. Ele negava que nós herdamos o pecado de Adão e alegava que nos tornamos pessoalmente pecadores apenas porque nascemos em solidariedade com uma comunidade pecadora a qual nos dá maus exemplos. Da mesma forma, ele negava que herdamos a santidade ou justiça como resultado da morte de Cristo na cruz e dizia que nos tornamos pessoalmente justos através da instrução e imitação da comunidade cristã, seguindo o exemplo de Cristo. Pelagius declarava que o homem nasce moralmente neutro e pode chegar ao céu por seus próprios esforços. De acordo com ele, a graça de Deus não é verdadeiramente necessária, mas apenas facilita uma difícil tarefa. · É uma visão que ainda hoje encontramos na Teologia da Libertação, por exemplo: o que importa é o esforço do homem, a graça de Deus é bem vinda mas não é necessária, etc. É por isso que os TL dão tanto valor à ´auto´estima´, nome chique para o pecado do Orgulho: para eles é importante amar A SI sobre todas as coisas, pois a salvação (ou a utopia socialista, no caso...) viria apenas através do esforço do homem.



Nestorianismo (Séc. V) Essa heresia sobre a pessoa de Cristo foi iniciada por Nestorius, bispo de Constantinopla que negava a Maria o título de Theotokos (literalmente ´Mãe de Deus´). Nestorius alegava que Maria deu origem apenas à pessoa humana de Cristo em seu útero e chegou a propor como alternativa o título Christotokos (´Mãe de Cristo´). Os teólogos Católicos ortodoxos imediatamente reconheceram que a teoria de Nestorius dividia Cristo em duas pessoas distintas (uma humana e outra divina, unidos por uma espécie de ´elo perdido´), sendo que apenas uma estava no útero de Maria. A Igreja reagiu no ano 431 com o Concílio de Éfeso, definindo que Maria realmente é Mãe de Deus, não no sentido de que ela seja anterior a Deus ou seja a fonte de Deus, mas no sentido de que a Pessoa que ela carregou em seu útero era de fato o Deus Encarnado. · Creio que todo mundo já identificou o protestantismo pentecostal neste heresia, não? Bom, isso na verdade é, no protestantismo, apenas uma maneira a mais de menosprezar a Encarnação. Note´se que S. João escreveu seu Evangelho em resposta aos gnósticos, e fez questão de comecá´lo pela Encarnação. Isto ocorre porque a base gnóstica do protestantismo (e tbm, de uma certa maneira, do nestorianismo) recusa´se a admitir que Nosso Senhor tenha realmente assumido a nossa natureza. É por isso, por exemplo, que Lutero afirmava que o pecado do homem não é jamais apagado, mas apenas encoberto por Deus. Para ele, Nosso Senhor mentiria, afirmando que o homem não tem pecado, para que ele entre no Céu. É mais fácil para um gnóstico crer em um deus que minta que em um Deus que se faz verdadeiramente homem, com mãe e tudo.



2 comentários:

mpr disse...

Caro amigo,

como protestante sinto que pouco conhece do protestantismo. Afirmar que o protestantismo tem bases gnósticas, dizer que Lutero não aceitava o perdão completo do pecado e que os pentecostais são nestorianos, enfim...

Em relação aos pentecostais está a confundir a reacção que eles têm quando observam os católicos a dirigir-se a Maria como se ela fosse Deus. Alguns há que até a adoram em cânticos coisa que a própria igreja católica e ortodoxa (antes da divisão) condenaram. Ninguém nega que ela seja mãe de Deus. Mas negamos que lhe seja pretadado culto e adoração.
Quanto a Lutero, ele não é o papa do protestantismo. Ao contrário dos católicos, nós protestantes, não temos teoria alguma da infalibilidade papal. Em relação a Lutero temos de ver no final da sua vida o que ele defendia porque muito da sua teologia foi processual. Disse muitos disparates ao início. Por isso teve homens ao seu lado, como Melanchton e outros que punham alguma ordem nos seus pensamentos. Não se esqueça que Lutero não foi o iniciador do protestantismo. Foi um dos iniciadores.

yvypóra disse...

Eu gostaria de saber quando se falou que para a Teologia da Libertação a graça (ou ação de Espírito) é desnecessário.
O comentário final sobre o pelagianismo cheira a ignorância ou fanatismo religioso...