sábado, 31 de maio de 2008

FESTA DE NOSSA SENHORA RAINHA



Por uma espécie de instinto sobrenatural, o povo cristão em todos os tempos reconheceu a realeza da Mãe daquele que é o "Rei dos reis e Senhor dos Senhores". Deste comum sentir fizeram-se intérpretes autorizados, no decorrer dos séculos, os Santos padres. Os Doutores da Igreja, os Sumos Pontífices. Desta crença encontramos claro testemunho nos esplendores da arte sagrada e na liturgia. Os teólogos, por seu turno, não se têm cansado de mostrar a conveniência do título de realeza da Mãe de Deus, tão intimamente associada com a obra redentora de seu Divino Filho, ela a Medianeira de todas as graças.


No sentido de corresponder os votos unânimes de fiéis e pastores, São Pio XII, pela Carta Encíclica Ad Caeli Reginam, de 11 de Outubro de 1954, que seus corações todo mundo cristão vinha já prestando à Soberana Rainha do Céus e da Terra.


A Epístola apresenta-nos o reinado da Sabedoria, cujas prerrogativas a Liturgia aplica a Santíssima Virgem. O Evangelho anuncia o reinado de Cristo, fonte do reinado de sua Mãe.


Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

SOLENIDADE DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS







Nos séculos XVI e XVII o protestantismo e o Jansenismo procuravam deformar ou mesmo abolir por completo um dos dogmas essenciais do cristianismo - o amor de Deus aos homens. Era pois necessário que o Espírito de amor que orienta a Igreja, encontrasse meio novo de se opor à heresia nascente, por que a esposa de Cristo, longe de ver diminuir o seu amor a Jesus Cristo, o sentisse crescer cada vez mais. Foi então que apareceram os grandes precursores do novo culto ao Coração de Jesus, já precedidos na Idade Média pelas grandes figuras beneditinas de Gertrudes e Matilde. São João Eudes foi o primeiro a lançar o grito de alerta contra os perigosos e subversivos discípulos de Jansénio e instituiu em 1670 a missa e o ofício do Sagrado Coração de Jesus para uso particular da congregação que fundara. Pouco depois, em 1675, escolheu a providência uma filha espiritual de São Francisco de Sales, Santa Margarida Maria Alacoque, a qual Jesus mostrou o seu Coração em Paray Le Monial no segundo domingo depois de Pentecostes e pediu que estabelecesse uma festa do Sagrado Coração de Jesus na primeira sexta-feira depois deste mesmo domingo. Em 1765, Clemente XIII aprovou a festa e o ofício do Sagrado Coração e em 1856 o Papa Pio IX estendeu-a à Igreja universal. Em 1929, Pio XI compôs missa e Ofício novos para esta festa.
Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São João: Naquele tempo:
Os judeus temeram que os corpos ficassem na cruz durante o sábado, porque já era a Preparação e esse sábado era particularmente solene. Rogaram a Pilatos que se lhes quebrassem as pernas e fossem retirados.
Vieram os soldados e quebraram as pernas do primeiro e do outro, que com ele foram crucificados.
Chegando, porém, a Jesus, como o vissem já morto, não lhe quebraram as pernas,
mas um dos soldados abriu-lhe o lado com uma lança e, imediatamente, saiu sangue e água.
O que foi testemunha desse fato o atesta (e o seu testemunho é digno de fé, e ele sabe que diz a verdade), a fim de que vós creiais.
Assim se cumpriu a Escritura: Nenhum dos seus ossos será quebrado (Ex 12,46).
E diz em outra parte a Escritura: Olharão para aquele que transpassaram (Zc 12,10).


Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.



Suávi jugo tuo domináre, Dómine, in médio inimicórum tuórum.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Santa Joana D'arc, Virgem e Martir

Nascida em Domremy , Champagen , França em 1412 , morreu em Rouen em 31 de maio de 1431. O pai de Joana, Jaques D’Arc era um fazendeiro e Joana nunca aprendeu a ler ou a escrever. Quando ela tinha 13 ou 14 anos ela teve a sua primeira experiência mística. Ela ouviu uma voz chamando-a e acompanhada de uma luz. Ela recebeu as visões quando cuidava das ovelhas do seu pai. Visões posteriores eram compostas de mais vozes e ela foi capaz de identificar as vozes como sendo de São Miguel, Santa Catarina de Alexandria e Santa Margarete entre outras. Em 1428 suas mensagens tinham um fim especifico. Era para se apresentar-se para Robert Bauricourt , que comandava o exercito do rei na cidade próxima. Joana convenceu um tio a leva-la, mas Robert riu dela e comentou com o seu pai que ele deveria disciplina-la.Mas as visões continuaram e secretamente ela deixou sua casa e retornou a Vancoulers. Baudricourt duvidou dela, mas modificou sua posição quando chegaram as noticias de sérias derrotas nas batalhas de Herrings do lado de fora de Orleans em fevereiro de 1429 exatamente conforme Joana havia predito. Ele enviou Joana com uma escolta para o falar com o Rei e ela escolheu viajar disfarçada com roupas de homem para sua própria proteção. Em Chinon, o rei Carlos estava disfarçado, mas ela o identificou e por sinais secretos eles se comunicavam e ela o convenceu a acreditar na origem divina das sua visões e da sua missão.Ela pediu uma tropa de soldados para ir a Orleans .O seu pedido foi muito questionado na corte e ela foi enviada para ser examinada por um painel de teólogos em Poities. Após um exame de tres semanas o painel aconselhou a ao rei Carlos que fizesse uso dos seus serviços. Diz a tradição que um dos membros do painel era um cardeal que conhecia a verdadeira aparência de Santo Miguel, muito bem guardado nos arquivos de Roma e quando perguntou a Joana com era São Miguel, ela o descreveu exatamente como estava descrito no arquivo secreto em Roma. A ela foi dada a tropa e um estandarte especial feito para ela com a inscrição "Jesus:Maria" e o símbolo da Santíssima Trindade na qual dois anjos presenteavam a ela uma flor de lis e Joana vestia um armadura branca e sua tropa entrou em Orleans em 29 de abril .Sua presença revigorou a cidade e em 8 de maio as forças inglesas que cercavam a cidade foram capturadas.Ela foi ferida no peito por uma flecha o reforçou a sua reputação de guerreira.Ela começou uma campanha em Loire com o Duque d’ Alençon, e eles se tornaram grandes amigos.A campanha teve grande sucesso em parte graças ao elevado moral das tropas, com a presença de Joana e as tropas britânicas se retiraram para Paty e de lá para Troyes. Joana agora estava tentando fazer com que o rei aceitasse a sua responsabilidade e lutou pela sua coroação em 17 de julho de 1429. E a missão de Joana, conforme as suas visões, estava completada.Daí em diante devido ao fato que Carlos não forneceu se nem suporte nem sua presença conforme prometido, Joana sofreu varias derrotas. O ataque a Paris falhou e ela foi ferida na coxa. Durante a trégua de inverno Joana ficou na corte onde ela continuava sendo vista com ceticismo .Quando as hostilidades recomeçaram ela foi para Compiegne onde os franceses estavam resistindo ao cerco dos Burbundians. A ponte movediças foi fechada muito cedo e Joana e suas troas ficaram do lado de fora. Ela foi capturada e levada ao Duque de Burgundy em 24 de maio. Ela ficou prisioneira até o fim do outono. O rei Carlos não fez nenhum esforço em liberta-la. Ela havia previsto que o castelo seria entregue ao ingleses e assim aconteceu. Ela foi vendida aos lideres ingleses na negociação. Os ingleses estavam determinados a ficarem livres do poder de Joana sobre os soldados franceses . Como os ingleses não podiam executa-la por estar em uma guerra eles forjaram uma maneira de julga-la como herege .Em 21 de fevereiro de 1431 ela apareceu a um tribunal liderado por Peter Cauchon, bispo de Beauvais, o qual tinha esperança que os ingleses o ajudariam a faze-lo Arcebispo de Rouen. Ela foi interrogada sobre as vozes, sua fé e sua vestimenta masculina. Um sumário falso e injusto foi feito e suas visões foram consideradas impuras em sua natureza, uma opinião suportada pela Universidade de Paris. O tribunal declarou que, se ela se recusasse a retratar, seria entregue aos seculares como um herege . Mesmo sob tortura ela recusou a se retratar. Quando finalmente ela foi trazida para uma sentença formal no Cemitério de Santo Ouen, diante de uma enorme multidão ela retratou-se apenas um pouco e de forma bastante incerta e foi devolvida a prisão e voltou a vestir as roupas masculinas que havia concordado em abandonar. Ela teve a coragem de declarar que tudo que ela havia dito antes era verdade e que ela havia recuperado a sua coragem e que Deus havia na verdade enviado ela para salvar a França dos ingleses.Assim no dia 30 de março de 1431 ela foi levada a praça pública do mercado em Rouen e queimada viva. Joana não tinha completado 20 anos. Suas cinzas foram atiradas no Sena. Em 1456 sua mãe e dois irmãos apelaram para a reabertura do caso, com o que o Papa Calistus III concordou.O julgamento e o veredicto foram anulados e ela foi canonizada como uma santa virgem e mártir. Ela era chamada La Pucelle "a Virgem de Orleans" .Na arte litúrgica da Igreja Santa Joana é mostrada como uma garota numa armadura, com uma espada, ou uma lança e as vezes com uma bandeira com as palavras "Jesus:Maria" e as vezes com um capacete .Nas pinturas mais antigas, ela tinha longos cabelos caindo nas suas costas, para mostrar que ela era virgem. Ela as vezes ela é mostrada incentivando o rei , ou seguida de uma tropa ou em roupas femininas com um espada. Popularmente venerada por séculos, foi finalmente beatificada em 1909 e canonizada em 1920. Foi declarada oficialmente padroeira da França em 1922.
Sua festa e celebrada no dia 30 de maio.


quarta-feira, 28 de maio de 2008

Catecismo Online: "Creio no Espírito Santo" (Parte IV)

Cristo Nosso Senhor disse, numa ocasião em que falava do Espírito Santo: "Ele me glorificará, porque há de tomar o que é meu"(Jo 16,14).



A mesma verdade se releva do fato de que, nas Sagradas Escrituras, o Espírito Santo é chamado, ora "Espírito de Cristo"(Atos 16,7), ora pelo "Espírito do Pai"(Rom 8,9; Atos 8,39). Ora se diz que é enviado pelo Pai (Atos 2,17; Mt 10,20; Jo 14,26; Gal 4,6), ora pelo Filho (Jo 15,26; 16,7), para mostrar, com bastante clareza, que tanto procede do Pai, como do Filho.




Diz São Paulo: "Quem não possui o Espírito de Cristo, esse lhe não pertence"(Rom 8,9). Escrevendo aos Gálatas, chama-lhe Espírito de Cristo: "Enviou Deus a vossos corações o Espírito de seu filho, que clama: Abba, Pai!"(Gal 4,6).




Em São Mateus, é chamado "Espírito do Pai": "Não sois vós quem fala, mas o Espírito de vosso Pai"(Mat 10,20). Na última ceia, o Senhor explicou-se assim: "O consolador que Eu vos enviar, é o Espírito da verdade, que procede do Pai, Ele dá testemunho de mim"(Jo 15,26). Noutra parte, afirma que o mesmo Espírito Santo será enviado pelo Pai: "O Pai há de enviá-lo em Meu nome"(Jo 14,26). Ora, devemos entender que tal linguagem se refere a processão do espírito Santo; mostra, pois, claramente, que o Mesmo procede de ambos.




São estes os pontos que se devem ensinar, com referência à Pessoa do Espírito Santo.




É preciso ensinar que existem certos efeitos admiráveis, e certos dons sublimes do Espírito Santo, que dele nascem e se derivam, como de uma fonte inexaurível de bondade.



Ainda que as operações exteriores da Santíssima Trindade são comum as três pessoas, muitas delas se atribuem como próprias do Espírito Santo, para entendermos que partem do imenso amor de Deus para conosco. Já que o Espírito Santo procede da vontade divina, e enquanto abrasada de amor, é óbvio que as operações, atribuídas propriamente ao Espírito Santo, promanam do soberano amor de Deus para conosco.




Por isso, o Espírito Santo chama-se "dom", conceito que exprime uma doação, feita por benevolência, a título gratuito, sem nenhum interesse de retribuição. Se o Apóstolo pergunta: "Que temos nós, que de Deus não temos recebido?"(1Cor 4,7) - devemos reconhecer, com piedosa gratidão, que todos os bens e benefícios que de Deus recebemos, nos foram concedidos por mercê e graça do Espírito Santo.




São várias, porém, as suas operações. Sem realçar aqui a criação do mundo, a propagação e a direção das criaturas - assunto já tratado no primeiro artigo do credo - acabamos de ver, há pouco, que o Espírito Santo se atribui de modo peculiar a vivificação, conforme o atesta Ezequiel: "Dar-vos-ei o Espírito, e vivereis"(Ezeq 37,6).




Ora, os efeitos principais e mais próprios do Espírito Santo, o profeta os enumera: "O Espírito de sabedoria e inteligência, o Espírito de conselho e de fortaleza, o Espírito de ciência e de piedade, e o Espírito de do temor de Deus"(Isa 11,2-3; ver também: Gal 6,2).




Estes efeitos se chama dons do Espírito Santo, e por vezes levam até o nome de Espírito Santo. Por conseguinte, quando ocorre nas Escrituras o nome de "Espírito Santo", é com prudência que Santo Agostinho nos manda verificar se designa a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, ou apenas seus dons e operações. Estes dois sentidos diferem tento entre si, quanto cremos que o Criador difere das criaturas.




São estes os pontos que exigem maior explicação, pois que pelos dons do Espírito Santo chegamos a conhecer as normas da vida cristã, e por eles podemos verificar se em nós habita o Espírito Santo.




Entre todos e mais dons de sua liberalidade, devemos enaltecer a graça de justificação, porquanto nos assinala com o "prometido Espírito Santo, que é penhor de nossa herança"(Efe 1,13-14).




Esta é que, num elo íntimo de amor, une nossa alma a Deus. Tem por efeito que, abrasados por intenso ardor de piedade, começamos vida nova; que, "participando da natureza divina"(2Ped 1,4), "recebemos o nome de filhos de Deus, e o somos na realidade"(1Jo 3,1).




(Fonte: Catecismo da Igreja Católica - 1962 - Ed. Vozes)




segunda-feira, 26 de maio de 2008

Liturgia: Funerais




Pela designação de funeral, entende-se o conjunto das cerimônias que se realizam, desde a hora da morte de uma pessoa, até a sepultura.



Logo depois da morte, cuida-se de vestir o defunto. Primitivamente, era serviço feito com grande apuro. Lavavam o cadáver e ungiam-no com perfumes. Tertuliano escreve na Apologética (XLII), que os cristãos gastam, na sepultura de seus parentes, os aromas usados pelos pagãos para incensar os deuses". Envolvia-se depois, o corpo, mormente dos mártires, em panos ricos. Bispos e padres eram sepultados com os respectivos paramentos. Colocava-se então o corpo numa das principais salas da casa, geralmente no cenáculo. Acabadas as perseguições, cercavam a tumba de círios e era exposto abertamente. O costume de contratar carpideiras¹ que vigorava entre os judeus, teve sempre a repulsão mais franca por parte dos cristãos. Consideravam contras-senso, tolice e profanação, lamentar como perda definitiva a morte de um ente querido, que na verdade ensina a fé, que estão junto de Deus. Desde o século IV, vemos crescida a concorrência, formando o cortejo fúnebre. Levavam tochas; cantavam salmos. A missa era rezada de corpo presente. Terminava a cerimônia lutuosa com o ágape, que era, a princípio, uma refeição de caridade oferecida aos pobres, em homenagem ao falecido. Suprimiu-a a Igreja, por causa dos abusos que haviam introduzido.



Hoje continuam rodeados pela Igreja das expressões mais demonstrativas de honra e apreço aos desejos mortais de seus filhos. Porém, já não se embalsamam os despojos mortais senão de pessoa ilustres. Depois de ultimar os cuidados devidos do cadáver, deixa-se junto dele, uma luz a arder, simbolizando a alma mortal e a ressurreição futura do corpo. Na mesma mesa, coloca-se um vaso de água benta; é para as pessoas, vindas para orar pelo defunto, lhes aspergirem os restos, removendo assim qualquer influência nefasta dos espíritos infernais. Pessoas amigas e caridosas passarão a noite a rezar aos pés do falecido.



Quando se deitou o caixão, fica este coberto com o pano mortuário ou manto grande (latim, pallium, capa). Tem de ser de cor preta, ainda quando o morto fosse uma donzela ou um sacerdote. Entretanto, excepcionalmente, a Sagrada Congregação dos Ritos tolera outros usos, mas o pano mortuário branco deve ser listrado de preto.



No dia das Exéquias, vai o clero em procissão, à casa do falecido, buscar o cadáver. Junto do túmulo, o celebrante recita o De profundis. Depois, encaminham-se para a Igreja, cantando o Miserere. Entrados, canta-se salmos o Subvenite. Depositam o cadáver de forma que sua face fique voltada para o altar, e caso sendo um leigo, e voltado para a assistência, caso seja um sacerdote, como querendo ministrar-lhe os derradeiros e supremos ensinamentos.



Em torno do falecido se acendem velas. Motivam este uso duas intenções: - 1. Honrar os despojos do morto e proclamar sua fé na ressurreição; - 2. Também constitui em uma oferta feita à Igreja, como sufrágio pelo defunto.



Logo em seguida é recitado o ofício de réquiem. Reza-se em seguida a Missa dos defuntos. Todavia, o único rito obrigatório exigido pela rubrica é o da absolvição.



Absolvição é uma cerimônia, em que o corpo está presente. Após o canto, o padre asperge e incensa o corpo do defunto em uma simbologia. A aspersão é para pedir a Deus, por virtude da água benta, que conceda ao falecido o perdão total. O incenso para homenagear pela última vez, um corpo que já foi morada do Espírito Santo e que um dia há de ressuscitar. Enquanto leva-se o cadáver ao cemitério recita-se o In Paradisum (que os anjos vos introduza no paraíso). No momento do sepultamento canta-se o Benedictus e o Ego sum ressurectio, eu sou a ressurreição. O celebrante asperge o cadáver com água benta, dizendo Requiescat in pace. Retira-se o clero, com a recitação do De profundis.



Caráter oposto apresenta os enterros de crianças (anjinhos). Exprimem júbilo. O padre está paramentado de branco. Cantos e salmos são de alegria. A missa é dos santos anjos. O que tudo indica é que no céu entrou mais um anjinho.



Nega-se sepultura eclesiástica: - 1. Aos não batizados; - 2. Aos batizados indignos que morreram sem nenhum sinal de arrependimento. Vem a ser: - a) Os apóstatas, hereges e cismáticos e seguidores de maçônicos. - b) Aos excomungados ou interditos nomeadamente; - c) Aos suicidas de caso pensado; - d) Aos duelistas mortos no ato de suas conseqüências; - e) Aos que pediram a cremação do seu corpo; - f) Aos demais pecadores públicos e notórios.



Fonte: Doutrina Católica - Manual de instrução religiosa para uso dos Ginásios, Colégios e Catequistas voluntários - Curso Superior - Terceira parte - Meios de Santificação - Liturgia - Livraria Francisco Alves - Editora Paulo de Azevedo Ltda - São Paulo; Rio de Janeiro; e Belo Horizonte - 1927

domingo, 25 de maio de 2008

II Domingo Depois de Pentecostes: "Trazei aqui os pobres, os estropiados..." (Ev.)





A Igreja fixou a celebração da festa do Corpo de Deus na quinta-feira que segue o primeiro domingo depois de pentecostes. Uma coincidência feliz colocou-a entre os dois domingos em que a epístola e o evangelho falam sobre a misericórdia divina e do dever da caridade fraterna que daí deriva para todos os homens. No evangelho do segundo domingo lemos que o reino dos céus é semelhante a um banquete nupcial. E nada pode simbolizar melhor, com efeito, a sagrada eucaristia, que é o banquete por excelência da união das almas com Jesus Cristo, seu esposo, e com todos os membros do corpo místico.


No breviário, a história de Samuel, destinado por Deus para a guarda da Arca do Senhor e sacerdote do Altíssimo, harmoniza-se perfeitamente com a liturgia eucarística. Naquele tempo diz o Breviário, a palavra do Senhor fez-se rara e não havia visões em Israel, porque Heli era orgulhoso e fraco e seus filhos infiéis e desleixados no serviço do Senhor. Então o Senhor manifestou-se a Samuel, menino ainda, e anunciou-lha ainda o castigo destinado a casa de Heli. E não tardou muito que a Arca fosse violada pelos filisteus e que Heli e seus filhos morressem. A censura mais amarga que a Sagrada Escritura repreende Heli é por ter colocado seus interesses particulares e a solicitude das coisas materiais acima do interesse e da solicitude das coisas do espírito.






Comentando a parábola do banquete São Gregório tem observações de fina penetração psicológica, quando, depois de notar que o homem é naturalmente inclinado a arrastar o coração pelas alegrias da terra, constata que, sempre que o faz, não tarda a sentir o tédio; ao passo que basta que prove as do espírito para nunca mais delas se saciar e crescer continuamente em si o desejo delas. Depois continua São Gregório a dizer: Provai e vede como o Senhor é bom. Não lhe podereis conhecer a suavidade se o não provais. Mas tocai com o paladar do coração o alimento da vida, para que, verificando o quanto é bom e suave, o passai realmente amar como convém. O homem quando pecou no paraíso, perdeu o direito e o prazer destas delícias, e saiu de lá, quando fechou a boca ao alimento das suavidades eternas. Donde nascidos neste exílio amargo, viemos já com fastio e ignoramos o que devemos desejar. O que é necessário é escutar o apelo do evangelho de e desprendermo-nos dos bens da terra para nos prendermos aos do Céu.


Evangelho de Domingo:


Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Lucas: Naquele tempo: Disse Jesus aos fariseus a seguinte parábola: Um homem deu uma grande ceia e convidou muitas pessoas.
E à hora da ceia, enviou seu servo para dizer aos convidados: Vinde, tudo já está preparado.
Mas todos, um a um, começaram a escusar-se. Disse-lhe o primeiro: Comprei um terreno e preciso sair para vê-lo; rogo-te me dês por escusado.
Disse outro: Comprei cinco juntas de bois e vou experimentá-las; rogo-te me dês por escusado.
Disse também um outro: Casei-me e por isso não posso ir.
Voltou o servo e referiu isto a seu senhor. Então, irado, o pai de família disse a seu servo: Sai, sem demora, pelas praças e pelas ruas da cidade e introduz aqui os pobres, os aleijados, os cegos e os coxos.
Disse o servo: Senhor, está feito como ordenaste e ainda há lugar.
O senhor ordenou: Sai pelos caminhos e atalhos e obriga todos a entrar, para que se encha a minha casa.
Pois vos digo: nenhum daqueles homens, que foram convidados, provará a minha ceia.


Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

sábado, 24 de maio de 2008

Contra-Reforma: A reforma protestante




Na postagem anterior fizemos um resumo dos acontecimentos que mudaram o quadro da Europa no final da Idade Média. Agora iremos verificar que diante da crise enfrentada pela Igreja como sobressaiu um dos maiores movimentos heréticos da história que perdura até os nossos dias.


"Há um só Senhor, uma só fé, um só batismo." (Efésios 4,5)


Como afirma o apóstolo existe uma só fé, e esta fé está na única Igreja de Cristo, que é Una, Santa, Católica, Apostólica e Romana, pelo simples fato de que o chefe visível da Igreja morreu em Roma, onde sua sede foi estabelecida.


O movimento protestante a princípio liderado por Martinho Lutero não levava em conta a hierarquia estabelecida por Nosso Senhor Jesus Cristo: "E eu te declaro: tu és Pedro (Cefas = Rocha), e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela." (São Mateus 16,18). Lutero desprezava a autoridade e os dogmas da religião cristã. O fato de ter tido uma falsa vocação ao sacerdócio e uma péssima instrução religiosa acompanhada por outro péssimo diretor espiritual vieram a influenciar sua postura de revolta e rebelião contra as autoridades da Igreja. Esta revolta pode ser considerada por nós como a primeira revolta responsável pela crise do atual mundo ocidental.


A Igreja como vimos na postagem anterior, passava por uma crise moral e religiosa, devido a contaminação do pensamento renascentista na sociedade européia. Esta crise era observada pela população e principalmente pelos poderosos que cobiçavam a riqueza que a Igreja acumulara durante séculos. Lutero por não ter tido nenhuma instrução correta em relação a doutrina da Igreja passaria a questionar os significados e as necessidades de certos ritos e formas de culto. Lutero não conseguia viver a castidade. Conta-se que, antes de ingressar num convento teria feito uma festa com orgias e bebedeiras, para se despedir do mundo. Deste ponto há de se entender o motivo pelo qual Lutero se opôs fortemente ao celibato. Lutero também tinha uma grande dificuldade de compreender que a missa tratava-se de um sacrifício, daí o motivo pelo qual ele teria reduzido o sacramento da eucaristia a um simples banquete. Lutero também não compreendia a santidade, dai o motivo pelo qual era contra o culto dos santos. Não somente ele mas muitos de seu tempo estavam contaminados com a filosofia de vida da renascença. Por isso o movimento protestante rapidamente ganhou campo. Um dos maiores motivos apontados para o sucesso do movimento protestante, trata-se da falta de fé dos bispos e a falta de instrução dos clérigos. Uma população que não entende bem sua própria fé se torna alvo perfeito para os hereges.


Lutero chegou até a banir livros da Bíblia que considerava não inspirados por Deus (não canônicos), como se tivesse competência de decidir sobre tal aspecto:


Diferenças entre a Bíblia Católica e a protestante
Os livros do Antigo Testamento são 45 (depende um pouco da divisão que se faça), reconhecidos autênticos pela Igreja católica. Estes livros foram quase todos escritos em hebraico; e uns em língua caldaica e em grego.
Convém fazer algumas distinções primeiras quanto aos nomes:
1) Cânon, do grego Kanón = regra, medida e catálogo;
2) Canônico = livro catalogado - o que significa que também é inspirado por Deus;
3) Protocanônico = livro catalogado próton, isto é, em primeiro lugar ou sempre catalogado;
4) Deuterocanônico = livro catalogado, déuteron ou em segunda instância, posteriormente (após ter sido controvertido);
5) Apócrifo, do grego apókryphon = livro oculto, isto é, não lido nas assembléias públicas de culto, reservado à leitura particular. Em conseqüência, livro não canônico, não catalogado, embora tenha aparência de livro canônico (Evangelho segundo Tomé, Evangelho da Infância, Assunção de Moisés...)
Examinemos como foi formado o atual cânon do Antigo testamento.
As passagens bíblicas começaram a ser escritas esporadicamente desde os tempos anteriores a Moisés. Todavia, Moisés foi o primeiro codificador das tradições orais e escritas de Israel, no século XIII A. C. A essas tradições (leis, narrativas, peças litúrgicas) foram sendo acrescidos, aos poucos, outros escritos no decorrer dos séculos, sem que os judeus se preocupassem com a catalogação dos mesmos.
Já no século I da era Cristã, como os apóstolos começaram a escrever os primeiros livros cristãos (cartas de S. Paulo, Evangelhos...), que se apresentavam como a continuação dos livros sagrados dos judeus, estes reuniram-se no Sínodo de Jâmnia, ao sul da palestina, por volta do ano 100 d.C., a fim de estabelecer as regras que caracterizariam os livros sagrados (inspirados por Deus). Foram estipulados os seguintes critérios:
1 - O livro sagrado não pode ter sido escrito fora da terra de Israel,
2 - ... não em língua aramaica ou grega, mas somente em hebraico,
3 - ... não depois de Esdras (458-428 a.C.),
4 - ... não em contradição com a Torá ou Lei de Moisés.
Em conseqüência, os judeus da palestina fecharam seu cânon sagrado sem reconhecer livros e escritos que não obedeciam a tais critérios. Acontece, porém, que em Alexandria, no Egito, havia uma próspera colônia judaica que, vivendo em terra estrangeira e falando língua estrangeira (o grego), não adotou os critérios nacionalistas estipulados pelos judeus de Jâmnia. Os judeus de Alexandria chegaram a traduzir os livros sagrados hebraicos para o grego entre 250 e 100 a.C., dando assim origem à versão grega dita "Alexandrina" ou "dos setenta intérpretes".
Essa edição bíblica contém livros que os judeus de Jâmnia não aceitaram, mas que os de Alexandria liam como "Palavra de Deus"; assim são os livros de Tobias, Judite, Sabedoria, Baruque, Eclesiástico ou Sirácida, 1o e 2o dos Macabeus, além de Ester 10,4 - 16,24 e Daniel 3,24-90; 13ss).
Podemos, pois, dizer que havia dos cânones entre os judeus no início da era cristão: o restrito, da Palestina, e o amplo, de Alexandria.
O grupo de judeus que se reuniu em Javneh (Jâmnia) se converteu no grupo dominante da historia judaica posterior, e hoje muitos judeus aceitam o cânon de Javneh. Contudo, alguns judeus, como os de Etiópia, seguem um cânon diferente que é idêntico ao Antigo Testamento Católico e inclusive os sete livros deuterocanônicos (cf. Enciclopédia Judaica, vol. 6, p. 1147). Como é lógico, a Igreja não tomou em conta as conclusões de Jâmnia. Primeiro, um concílio judeu posterior a Cristo não tem autoridade sobre os seguidores de Cristo. Segundo, Jâmnia rechaçou precisamente aqueles documentos que são fundamentais para a Igreja Cristã - os Evangelhos e os demais documentos do Novo Testamento. Terceiro, ao rechaçar os deuterocanônicos, Jâmnia rechaçou livros que haviam sido usados por Jesus e os apóstolos e que estavam na edição da Bíblia que os apóstolos usavam na vida cotidiana - a Septuaginta. Como os judeus em todo o mundo que usavam a Septuaginta, os primeiros cristãos aceitaram os livros que encontraram nela. Sabiam que os apóstolos não os guiariam erroneamente nem poriam suas almas em perigo, pondo em suas mãos falsas escrituras - especialmente sem adverti-los contra elas.
Os apóstolos e evangelistas, ao escreverem o Novo Testamento em grego, citavam o Antigo Testamento, usando a tradução grega de Alexandria, mesmo quando esta diferia do texto hebraico (ver Mt 1,23 quando cita Is 7,14; e Hb 10,5 (cita Sl 40,6). Esta tornou-se a forma comum entre os cristãos; em conseqüência, o cânon amplo, incluindo os sete livros já citados, passou para o uso dos cristãos.
No começo do cristianismo, como conseqüência da existência desses dois cânones, o de Alexandria e o da Palestina, havia uma certa confusão sobre quais deveriam ser seguidos.
O papa S. Dâmaso, no ano 374, confiou a S. Jerônimo o cuidado de coligir e traduzir os livros santos, sujo conjunto forma o atual cânon ou catálogo da Igreja.
O Catolicismo reconheceu sempre, e o Concílio Tridentino confirmou a lista de S. Dâmaso.
Quem confere veracidade ao papel?
É unicamente através da Igreja que se distinguem os livros sagrados dos apócrifos. Os protestantes, ao negarem o papel da tradição, acabam caindo em erros muito graves, visto que não têm como escolher os livros de sua Bíblia. Sem a tradição, como escolher os livros inspirados ou não? E mais, sem a autoridade infalível da Igreja, não há Bíblia que possa ter valor, pois quem confere autenticidade ao papel?
Mesmo em relação ao Novo Testamento havia discordância no início do cristianismo. Livros como Hebreus, Tiago, 2 Pedro, 2 e 3 João, e Apocalipse, permaneceram arduamente discutidos até que se estabeleceu o cânon definitivo.
Não é razoável a interpretação protestante, visto que esta acaba dizendo que a bíblia se prova pela bíblia. Ora, isso é uma temeridade. A Bíblia se prova pela Igreja que a compôs!
A Igreja Católica adotou o cânon grego.
Os protestantes adotaram o cânon farisaico.
Durante 15 séculos, a Igreja universal, tanto a latina como a grega, usou a bíblia grega.
Os escritores do século II só conheciam o antigo testamento pela recensão grega, dita dos setenta, e portanto, não distinguiam entre os livros que dizemos protocanônicos e os deuterocanônicos. Citam tanto estes como aqueles, com igual confiança, como sendo a palavra de Deus revelada.


A Bíblia e a Tradição
Quem confere veracidade à Sagrada Escritura ou não é a tradição. Nosso Senhor nunca mandou que se escrevesse um livro, muito pelo contrário: "Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda a criatura" (daí a palavra universal em oposição a uma igreja de um povo, de uma classe, etc). Pregar não é o mesmo que escrever, mas que falar, que transmitir oralmente, etc.
A própria Bíblia diz, claramente, que Jesus Cristo fundou uma Igreja sobre Pedro (Mt 16, 18), diz que estaria com ele até o fim do mundo (Mt 28, 13-20), que lhe dava as chaves do reino do céu (Mt 16, 19), que esta Igreja seria coluna e firmamento da verdade (1 Tim 3, 15), que é preciso escutar esta Igreja sob pena de ser tratado como um pagão (Mt 18, 17). Diz ainda: Cristo mandou os apóstolos pregarem o evangelho, e nem fala na Bíblia, nem de espalhar bíblias (Mc 16, 20)
Deus, em sua infinita bondade, não deixou suas criaturas relegadas à sua própria sorte ou 'interpretação' subjetiva (isto é, cada um interpreta como quer a Bíblia, segundo sua 'inspiração) de sua vontade. Ele nos deixou um "corpo místico" vivo, que se desenvolve no tempo. Ainda afirmou à sua Igreja: "Quem vos escuta a mim escuta, quem vos despreza, a mim despreza" (Lc. 10, 16). "Estarei convosco até o fim dos séculos" (Mt 28, 20).
A Bíblia só serve quando interpretada pela autoridade competente, "Deus é a verdade - Ego sum veritas" (Jo 14, 6). "O homem é a mentira - Omnis homo mendax" (Rom 3, 4). Em outras palavras, a interpretação da verdade não pode ser feita por homens falíveis, mas necessita de uma autoridade infalível.
Em parte alguma Cristo disse: quem ler este livro, conhecerá a minha vontade. Ele disse: "Quem vos escuta a vós, a mim escuta" (Lc 10, 16).
Apenas alguns discípulos (dois eram Bispos) é que escreveram o Novo Testamento, e muitos anos após a morte de Nosso Senhor. Tanto o Novo Testamento quanto o Antigo Testamento foram escritos baseados na tradição oral.
A Bíblia manda seguir a Tradição
1)"Em nome de Nosso Senhor, Jesus Cristo, mandamos que vos afasteis de todo irmão que se entrega à preguiça e não segue a tradição que de nós recebestes" (2 Tm 3,6).
2)"Tu, pois, meu filho, sê forte na graça de Cristo, e o que de mim ouviste perante muita testemunha confia-o a homens fiéis capazes de ensinar a outros" (2 Tm. 1-2). Eis aqui a tradição oral.
Nem tudo está na Bíblia:
"Há ainda muitas coisas feitas por Jesus, as quais, se se escrevessem uma por uma, creio que este mundo não poderia conter os livros que se deveriam escrever" (Jo 21,25).
S. Paulo: "Irmãos, ficai firmes e conservai as tradições que aprendestes, quer por palavra, quer por escrita nossa" (2 Tess 2,15).
E como ficam os protestantes sem a tradição e sem a Igreja? O Antigo Testamento prescreve uma série de normas que não foram abolidas pela Bíblia, mas pela Igreja. Como fica a observância dessas normas se só a Bíblia é fonte de revelação?
Exemplos: Não acender fogo (para cozinhar) em nenhuma moradia no sábado (Ex. 35,3). Não semear diferentes espécies no mesmo campo (Lev. 19,19). Não semear e colher nada, nos campos e na vinha, no ano sabático (Ex. 23, 10-11) e (Lev. 25 3-5). Não comer os frutos das árvores nos primeiros três anos (Lev 19, 23-25).
Só a Bíblia, dizem os protestantes, tudo deve apoiar-se sobre a Bíblia! Mas por que então Cristo não deu esta Bíblia? Por que ele não disse aos apóstolos: Sentai-vos e escrevei o que vos dito, ou, então, viajai e distribui bíblias; em vez de: 'ide e pregai - quem vos ouve, ouve a mim" (Lc 10, 16). E os apóstolos foram fiéis à sua missão; poucos escreveram, e escreveram pouco; mas todos pregaram, e pregaram muito.
Se basta a Bíblia, para que servem os pastores protestantes? Por que estas casas de culto... desde que há uma Bíblia em casa?
Ora, o que convém conhecer é menos a letra que o espírito. A observação é de S. Paulo: "A letra mata, mas o espírito vivifica" (2 Cor 3, 6). Deus fez o sacerdote "ministro do espírito e não da letra" (2 Cor 3, 6).
A Bíblia do Antigo Testamento existia no tempo de Jesus Cristo; entretanto, Ele nunca recomendou aos seus apóstolos a leitura da Bíblia; nem que adquirissem uma Bíblia, mas recomendou que escutassem àqueles que lhes explicavam a Bíblia, de modo autêntico, fossem eles até homens perversos e viciados, desde que constituem a autoridade legítima: "Sobre a cadeira de Moisés se assentaram os escribas e os fariseus; observai, pois, e fazei tudo o que eles vos disserem; mas não imiteis as suas ações" (Mt 23, 2).
Fica claro que o Mestre não recomenda "ler a Bíblia", mas praticá-la, conforme as explicações dos chefes capazes de interpretá-la.
A Sagrada Escritura condena o "Livre Exame" Protestante
A) "Nenhuma profecia da Escritura é de interpretação pessoal" (2Pd, 1,20).
B) "Assim vos escreveu também o nosso caríssimo irmão Paulo, segundo a sabedoria que lhe foi dada, falando-vos dessas coisas, como faz também em todas as suas cartas. Nelas há, porém, alguma coisa difícil de compreender, que as pessoas pouco instruídas ou pouco firmes deturpam, como fazem também com as outras escrituras, para sua própria ruína" (2Pd 3, 15-16).
C) "Muitas são as opiniões dos homens, e as más imaginações levam ao engano" (Eclo 3,24).
Como explicar que Deus deixaria o mundo ao "livre exame" em que cada um segue sua cabeça e justifica suas opiniões? E onde ficaria a frase de S. João: "Haja um só rebanho e um só pastor" (Jo 10, 16).
E só folhear o Ato dos Apóstolos e verificar que a Igreja, desde o começo, seguia a um só pastor, isto é, o sucessor de S. Pedro (o primeiro Papa).
Outra contradição do "livre exame" é o fato de existirem tantas "igrejas" protestantes, todas se dizendo inspiradas pelo mesmo 'espírito santo', e cada uma pregando uma doutrina diversa da outra.
Depois, se todos têm o "livre exame", como condenar o exame católico? Como julgar, sem ser através de uma Igreja infalível, se a interpretação de alguém está certa ou não? A inspiração não vem para todos? No fundo, os protestantes se acham, ainda que implicitamente, infalíveis em seu exame. Enquanto os católicos são falíveis individualmente e a Igreja é infalível, os protestantes, individualmente, se outorgam a "infalibilidade" que condenam nos católicos.


Na próxima postagem iremos dar continuidade ao tema...


(Evangelium secundum Matthaeum 16,18)et ego dico tibi quia tu es Petrus et super hanc petram ædificabo ecclesiam meam et portæ inferi non prævalebunt adversum eam

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Teologia Ascética e Mística: Das virtudes e dos dons ou das faculdades da ordem sobrenatural - Do dons do Espírito Santo




Mais tarde os descreveremos pormenorizadamente; baste-nos aqui mostrar a sua correspondência com as virtudes.



O dons sem serem mais perfeitos que as virtudes teologais e sobretudo que a caridade, aperfeiçoam o exercício de todas elas. Assim, o dom de entendimento faz-nos penetrar mais intimamente nas verdades da fé, para descobrirmos os seus tesouros escondidos, e harmonias misteriosas; o de ciência faz-nos considerar as coisas criadas nas suas relações com Deus. O dom de Temor fortifica a esperança, desapegando-nos dos falsos bens da terra que nos poderiam arrastar para o pecado, e por isso mesmo aumenta em nós os desejos dos bens do céu. O dom da sabedoria ou sapiência, fazendo-nos gostar das coisas divinas, aumenta o nosso amor para com Deus. A prudência é sobremaneira aperfeiçoada pelo dom do conselho, que nos permite conhecer, nos casos particulares e dificultosos, o que é conveniente fazer ou omitir. O dom de piedade aperfeiçoa a virtude de religião, que se relaciona com a justiça, fazendo-nos ver em Deus um pai que somos venturosos de glorificar por amor. O dom da fortaleza completa a virtude do mesmo nome, excitando-nos a praticar o que há de mais heróico na paciência e na ação. Enfim o dom de temor, além de facilitar a esperança, aperfeiçoa em nós a temperança, fazendo temer os castigos e os males que resultam do amor ilegítimo dos prazeres.



É assim que se desenvolvem harmoniosamente em nossa alma as virtudes e os dons, sob a influência da graça atual que será o tema da nossa próxima postagem.



(Fonte: Compêndio de Teologia Ascética e Mística - Ed. Apostolado da Imprensa - 1961 - 6ª edição)

quinta-feira, 22 de maio de 2008

SOLENIDADE DE CORPUS CHRISTI - FESTA DO SANTÍSSIMO CORPO DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO (Dia Santo de Guarda)













Depois do dogma da Santíssima Trindade, é o da Encarnação do Verbo que a Igreja nos recorda, convidando-nos a celebrar com alegria o sacramento por excelência que dá a Deus glória infinita e aplica às almas os frutos da Redenção. Foi pela cruz que o Senhor nos resgatou e a Santíssima Eucaristia instituída nas vésperas da paixão, é o memorial sempre novo e sempre vivo dos sofrimentos do Senhor. O altar é sempre a presença do Calvário em todos os Tempos. A missa renova a memória da Paixão e morte de Senhor. Jesus está lá com efeito em estado de vítima, por que as palavras da dupla consagração nos mostram que o pão se mudou no corpo do Senhor e o vinho no Sangue. De maneira que por esta dupla ação de efeitos diferentes que constitui São Tomás, a essência do sacrifício, reconhecemos a imolação de Cristo, quer dizer, a separação de seu corpo e de seu sangue, ainda que Jesus se conserve em cada uma das espécies. É assim que o salvador, que é sacerdote principal do sacrifício da missa, se imola e oferece realmente renovando de modo incruento a imolação cruenta do Calvário.



A Eucaristia foi instituída à maneira de alimento para que sendo, trigo de Deus, fortifica as almas, nos dê parte em sua vida divina e nos una a Jesus Cristo, e por Ele ao Pai no amor do Espírito Santo.



Procuremos afervorar-nos na devoção ao Corpo e Sangue de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo que assim facilmente alcançaremos os frutos da redenção.



Evangelho da Festa:


Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São : Naquele tempo: Disse Jesus:
Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele.
Assim como o Pai que me enviou vive, e eu vivo pelo Pai, assim também aquele que comer a minha carne viverá por mim.
Este é o pão que desceu do céu. Não como o maná que vossos pais comeram e morreram. Quem come deste pão viverá eternamente.
Tal foi o ensinamento de Jesus na sinagoga de Cafarnaum.


Pange Lingua gloriosi Corporis mysterium...

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Catecismo Online: "Creio no Espírito Santo" (Parte III)



Esta justa posição das três pessoas, pela qual se demonstra a divindade do Espírito Santo, podemos averiguá-la, quer na Epístola de São João: "Três são os que no céu dão testemunho: o Pai, o Filho e o Espírito Santo, e estes três são um só"(1Jo 5,7); - quer naquela gloriosa aclamação da Trindade Santíssima, que remata o ofício divino e os Salmos: "Glória ao Pai, e ao Filho, e ao Espírito Santo".




Afinal, uma grande confirmação desta verdade é aplicarem as Escrituras ao Espírito Santo todos os atributos que a fé nos ensina como próprios de Deus.




Reconhece-lhe pois a honra dos templos, quando por exemplo o Apóstolo declara: "Ignorais talvez, que vossos membros são templo do Espírito Santo?"(1Cor 6,19).




Atribuem-lhe da mesma forma as operações de "santificar" (2Tiag 2,12; 1Pedr 1,2), de "vivificar" (jo 6,64), de "penetrar os arcanos de Deus"(1Cor 2,10), de "falar pela boca dos profetas"(2 Pedr 1,21), de "estar em toda parte"(Sal 138,7; Sab 1,7). Tudo isto só pode enunciar-se com relação a Majestade Divina.




Com a devida atenção, é ainda preciso que se faça entender os fiéis que o Espírito Santo é Deus, mas que devemos confessá-lo como Terceira Pessoa, dentro da natureza divina, distinta do Pai e do Filho, e produzida pela vontade.




Sem alegar outros argumentos da Escritura, a fórmula de batismo, ensinada por Nosso Salvador, mostra com evidência que o Espírito Santo é a terceira pessoa, que subsiste por si mesma na natureza divina, distinta das outras.




Assim o declara também o Apóstolo na saudação: "A graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, e a caridade de Deus, e a comunhão do Espírito Santo, seja com todos vós. Amém!"(2Cor 13,13).



Prova de maior evidência ainda é o acréscimo, que a este artigo fizeram aos Padres do primeiro Concílio de Constantinopla (convocado em 381), para rebaterem o ímpio desatino de Macedônio: "E [creio] no Espírito Santo, Senhor e vivificador; o qual procede do Pai e do Filho; o qual com o Pai e o Filho é adorado e glorificado; ele que falou pelos profetas".



Ora, confessando que o Espírito Santo é Senhor, declaram-no infinitamente superior aos anjos, não obstantes este serem criados por Deus como espírito nobilíssimos. No sentir de São Paulo, são todos eles "espíritos servidores, enviados a servir, por causa daqueles que conseguem a herança da salvação"(Hebr 1,14).



Chamam-lhe, porém, "Vivificador", porque a alma tira da união com Deus uma vida mais intensa, do que o sustento e a conservação, que o corpo aufere da união com a alma. Como a sagrada Escritura atribui ao Espírito Santo esta união da alma com Deus (Rom 8,9ss), é claro que de pleno direito seja chamado "Vivificador".



Seguem-se as palavras: "O qual procede do Pai e do Filho". Cumpre pois a ensinar aos fiéis que o Espírito Santo procede do Pai e do Filho como de uma origem única, numa eterna processão. Assim no-la propõe a crer o cânon de fé da Igreja, do qual não pode o cristão apartar-se; e assim o confirma a autoridade da Sagrada Escritura e dos Concílios.



(Fonte: Catecismo da Igreja Católica - 1962 - Ed. Vozes)

terça-feira, 20 de maio de 2008

Semana Eucarística: "Pureza da alma para poder Comungar"


Que dizer da grande pureza de alma com que os Santos iam receber o pão dos Anjos? Sabemos que eles eram nisso de uma delicadeza verdadeiramente angelical.

Sabedores de sua própria miséria, eles procuravam apresentar-se a Jesus "santos e imaculados" (Ef 1,4), repetindo com o publicano: "Ó Deus, tende piedade de mim, que sou pecador" (Lc 18,13), e recorrendo, sem perda de tempo, ao Sacramento da Santa Confissão.

"Aproximai-vos da Sagrada Mesa - dizia São João Batista de Salle - com as mesmas disposições que quereríeis ter para entrar no céu. Pois não se há de ter um respeito menor para receber a Jesus Cristo, do que para ser recebidos por ele".

Quando a São Jerônimo foi levado o Santo Viático, no fim de sua vida, o Santo foi visto prostrar-se por terra em adoração, e ouviu-se como ele repetia, com profunda humildade, as palavras de Santa Isabel e as de São Pedro: "De onde me virá esta graça de estar vindo a mim o meu Senhor? Afasta-te de mim, que sou homem pecador" (Lc 1,43; 5, 8). E quantas vezes a angélica e seráfica Santa Gema foi tentada a não ir comungar, julgando-se nada menos que um vil "chiqueiro".


(Fonte: Jesus nosso amor eucarístico - Pe. Estevão M. Manelli - Ed. Fátima e você - 1988)

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Semana Eucarística: Milagres eucarísticos



O Milagre Eucarístico de Lanciano, segundo uma tradição da Igreja Católica, ocorreu no século VIII, na cidade italiana de Lanciano - antigamente chamada de "Anciano".
Vivam no mosteiro de São Legoziano os "monges de São Basílio". Um deles, que se sentia atormentado pela dúvida na crença católica da transubstanciação, segundo a tradição, durante uma missa, viu a hóstia, no momento do ato da consagração, converter-se em carne viva e o vinho em sangue vivo. A Hóstia-Carne apresentava, como ainda hoje se pode observar, uma coloração ligeiramente escura, tornado-se rósea se iluminada pelo lado oposto, e tinha uma aparência fibrosa; o Sangue era de cor terrosa (entre amarelo e o ocre), coagulado em cinco fragmentos de formas e tamanhos diferentes. Inicialmente essas relíquias foram conservadas num tabernáculo de marfim e, a partir de 1713, até hoje, passaram a ser guardadas numa custódia de prata, e o Sangue, num cálice de cristal.

Documentação de reconhecimento científico do fenômeno
A partir de 1574, aos reconhecimentos eclesiásticos do milagre, acrescentaram-se pronunciamentos científicos. Em novembro de 1970 os Frades Menores Conventuais, sob cuja responsabilidade se encontravam as substâncias, submeteram-nas a análise científica que foi confiada aos Dr. Odoardo Linoli, Chefe de Serviço dos Hospitais Reunidos de Arezzo e Livre Docente de Anatomia e de Histologia Patológica ede Química e Microscopia Clínica e ao professor Ruggero Bertelli, emérito de Anatomia Humana Normal na Universidade de Siena.
Após uma série de análises e constatações, o parecer foi publicado em "Quaderni Sclavo di diagnostica clinica e di laboratório", 1971, fasc. 3, Grafiche Meini, Siena, dizendo que:
A carne é carne verdadeira.
O sangue é sangue verdadeiro.
A carne seria do tecido muscular do coração (contém, em seção, o miocárdio, endocárdio, o nervo vago e, no considerável espessor do miocárdio, o ventrículo cardíaco esquerdo).
A carne e o sangue seriam do mesmo tipo sangüíneo (AB) e pertencem à espécie humana.
No sangue teriam sido encontrados, além das proteínas normais, os minerais cloreto, fósforo, magnésio, potássio, sódio e cálcio. As proteínas observadas no sangue teriam sido encontradas normalmente fracionadas em percentagem a respeito da situação seroproteínica do sangue vivo normal. Ou, seja, é sangue de uma pessoa viva.
A conservação da carne e do sangue, deixados em estado natural por doze séculos e expostos à ação de agentes físicos, atmosféricos e biológicos constituiria um fenômeno extraordinário.
Supõe-se que o sangue "AB" é o tipo de sangue encontrado no Santo Sudário. Este tipo de sangue é muito comum no povo Judeu. Outro fato interessante é que os cinco fragmentos, ao serem pesados têm exatamente o mesmo peso, não importa a combinação com que se pese. Por exemplo, tanto faz pesar um, dois ou todos fragmentos juntos, eles têm o mesmo peso.
O Milagre Eucarístico de Lanciano é considerado um dos mais famosos milagres eucarísticos relatados pela Igreja Católica, porém não é o único, aproximadamente 130 milagres eucarísticos relatados. Conta-se que na cidade de Cássia, na Itália também já aconteceu. Há relatos de que também tenha acontecido no Brasil, com o famoso Padre Cícero.




Liturgia: Procissões





Procissões são rogos solenes que os fiéis dirigem a Deus, conduzidos pelo clero, indo todos com ordem de um lugar a outro, a fim de aviventar a fé, reconhecer os benefícios de Deus, dar-lhe graças ou pedir auxílio dos Céus.



As procissões já se usavam no Antigo Testamento. Ao regressarem do cativeiro da Babilônia, os judeus fizeram uma procissão em ação de graças, ao redor das muralhas de Jerusalém (IIEdras, XII, 21-29). Obedecendo a ordem de Deus, o povo Hebreu conquistou a cidade de Jericó depois de ter dado sete volta nas fortificações, levando nesta procissão a Arca da Aliança (Josué VI, 4). A entrada triunfal de Nosso Senhor em Jerusalém, poucos dias antes do grande drama da Paixão, é outro cortejo festivo muito parecido com uma procissão.



Logo, não desacerta quem liga as procissões à tradição Apostólica. Contudo, só se tronaram exeqüíveis depois de findar a era das perseguições. Desde o século IV, vemos que se realizam, numerosas por muitíssimos motivos: para transportar o corpo de algum mártir de algum cemitério ou da Igreja para outro lugar; para colocar a primeira pedra de um templo; para remover algum flagelo; para pedir a proteção de Deus para os frutos da terra (Ladainha de São Marcos e das rogações). Igualmente, uma espécie de procissão antecedia, não raro, a celebração solene dos Santos Mistérios. O povo ajuntava-se onde tinha de esperar pelo bispo e dali prosseguia processionalmente com ele até a igreja chamada de estação, previamente designada para rezar a missa.



Podemos distinguir atualmente duas espécies de procissões: ordinárias e extraordinárias. - a) Procissões ordinárias são aquelas que se realizam todos os anos na mesma época, como a da Candelária, do Domingo de Ramos, dos Passos, da Ressurreição e de Corpus Christi. Nesta classe também entram as procissões locais, próprias de uma nação, de uma diocese, de uma terra, estabelecidas pelo costume, por circunstâncias particulares, como as que fazem as crianças na ocasião da primeira comunhão, as irmandades, as paróquias na festa do padroeiro, etc.



As procissões extraordinárias não têm este caráter permanente. São transitórias. De emergência. Motiva-as um caso passageiro. Será para pedir o fim da estiagem ou a cessação das chuvas, ou de alguma calamidade pública: fome, peste, guerra. Será para agradecer a Deus um acontecimento auspicioso, para honrar as relíquias de um santo, levando-as em procissão, etc.



Com as procissões devemos relacionar as romarias ou peregrinações. As mais afamadas são: - 1. Lugares Santos, da Palestina; - 2. Na Itália, os túmulos dos Apóstolos São Pedro e São Paulo, a Casa de Loreto; - 3. Em Portugal, Nossa Senhora de Fátima; - 4. Na França, a gruta de Messabielle em Lourdes. - 5. Na Espanha, São Tiago de Compostela, Nossa Senhora do Pilar, em Saragoça; - 6. No Brasil, o Bom Jesus do Congonhas do Campo em Minas, Nossa Senhora Aparecida, em São Paulo.



Fonte: Doutrina Católica - Manual de instrução religiosa para uso dos Ginásios, Colégios e Catequistas voluntários - Curso Superior - Terceira parte - Meios de Santificação - Liturgia - Livraria Francisco Alves - Editora Paulo de Azevedo Ltda - São Paulo; Rio de Janeiro; e Belo Horizonte - 1927

sábado, 17 de maio de 2008

FESTA DA SANTÍSSIMA TRINDADE - Iº Domingo Depois de Pentecostes







O Espírito Santo cujo advento celebramos no dia de Pentecostes veio nos recordar neste última parte do ano (do pentecostes ao advento, 6 meses). O dogma fundamental em torno do qual todo o cristianismo gravita é este da Santíssima Trindade, de quem tudo nos vem e a todos os que receberem o sinete do seu nome deve regressar. Depois de nos lembrar no decorrer do ano litúrgico o Pai Criador, o Filho Redentor e o Espírito Santificador e regenerador das almas, a Igreja recapitula hoje antes de mais os elementos fundamentais ao grande mistério em que adoramos a Deus uno em natureza e trino em pessoas.





O dogma da Santíssima Trindade aparece constantemente na Liturgia da Igreja. É em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo que se começa e acaba a missa, ofícios litúrgicos e os sacramentos. Todo salmo e fecham pelo Gloria patri.





Até o Século XII era comum representar o Pai por uma mão que saia das nuvens do céu a abençoar. Nos séculos XIII e XIV começou a aparecer a face e depois o busto inteiro. A partir do século XV começou o Pai a ser representado por um ancião usando vestes pontificais. Até o século XII a segunda pessoa da Santíssima Trindade era figurada com mais freqüência pela cruz ou pelo cordeiro, ou ainda por um jovem gracioso do jeito de Apolo do paganismo. A partir do século XV, a terceira da santíssima trindade, assume proporções de um homem, semelhante ao Pai e o Filho, somente com a pomba nas mãos ou na cabeça para distinguir das outras pessoas. Depois do século XVI a pomba volta a tomar o lugar exclusivo na representação do Espírito Santo.




Evangelho de Domingo:

Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Mateus: Naquele tempo:
Jesus, aproximando-se, lhes disse: Toda autoridade me foi dada no céu e na terra.
Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Ensinai-as a observar tudo o que vos prescrevi. Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo.


Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.


Benedicta sit sancta Trinitas atque indivisa Unitas.

Contra-Reforma: O Espírito perfeito para o surgimento do protestantismo



Antes de entrar no assunto do surgimento do maior movimento herético da história do Cristianismo, vamos buscar entender melhor de como estava a Europa no final da Idade Média e nas primícias da Idade Moderna.


No campo político, social e econômico a Europa ainda vivia em feudos, comunidades fechadas nas quais todos deviam obediência ao Senhor Feudal. Com o término das cruzadas, começava surgir no velho continente uma nova classe de pessoas, os burgueses, que viviam nos burgos (cidades). Toda sociedade como um todo passava por profundas transformações. Deixava-se o misticismo e a busca da santidade para uma nova busca objetiva rumo ao enriquecimento material e a garantia de uma vida confortável na terra. Quadro muito diferente do que se via séculos anteriores. Uma das grande mudança que se observava era a ascensão política dos Reis, que antes tinham seu poder reduzido nas mãos dos grandes Senhores feudais.



O pensamento do homem neste período passava por mudanças extremas. O homem tornava ser o centro das preocupações e não mais Deus. A busca do conhecimento e o desenvolvimento das ciências naturais eram impulsionados pela busca de obter novos lucros. O contato com outras civilizações fora o meio pelo qual se obtinha novos conhecimentos e novas experiências (ex: Marco Polo na China).



No campo cultural as artes sofriam transformações de acordo com o pensamento novo que ganhava espaço. Surgia o movimento artístico e cultural do Renascimento, onde se aplicavam as técnicas novas de arte baseada na cultura greco-romana. O renascimento era um movimento que remontava as origens pagãs da Europa, exaltando a beleza física dos corpos e a sensualidade.



No âmbito religioso a Igreja Católica era a Senhora das almas. Ainda muito ligada a Idade Média, a Igreja fora a instituição que mantinha fortemente nos seus muros o pensamento medieval, que na sociedade civil já estava desaparecendo. Quando o então Papa Júlio II decidiu reformar a Basílica de São Pedro em Roma, concedeu indulgências aos fiéis que doassem donativos para a construção da nova basílica. A Indulgência não se trata de perdão dos pecados como a maioria dos livros escolares descrevem com tamanha ignorância mas, sim de perdão das penas temporais obtidas pelos pecados já perdoados pelo sacramento da confissão. Lutero iria interpretar isso mais tarde como venda de bênçãos da Igreja. Outras práticas remanescentes da Idade média permaneciam ainda no início do período moderno, sendo questionada por parte da população como práticas ultrapassadas. O clero católico passava por um período de grande corrupção moral e religiosa, provocados pelo pensamento renascentista que já entrara nos conventos e mosteiros.



Todos esses e muitos outros fatores foram propícios para o surgimento do maior movimento herético da história, a pseudo-reforma protestante. Lutero foi apenas o estopim de um movimento que já estava pronto para acontecer. A falta de preparo do clero da época fez com que este movimento ganhasse as dimensões que ganhou ao longo destes últimos cinco séculos. Este é considerado a primeira revolução histórica, a revolta contra as autoridades eclesiásticas e contra a fé.
Na próxima semana o assunto será o movimento protestante.

SÁBADO DAS TÊMPORAS DE PENTECOSTES



"O Temor de Deus é o fundamento dos outros dons. Defende-nos do pecado, porque nos faz considerar o respeito que devemos a justiça divina e a sua majestade" (Pe. Meschler).


Por motivo das ordenações a estação de hoje celebrava-se na basílica de São Pedro, que é pastor do rebanho de Jesus Cristo. O Espírito Santo depois de ter dado, na vigília de Pentecostes, à Igreja numerosos filhos, vai lhe dar hoje também novos sacerdotes que serão instrumentos da sua graça no mundo. Vai se derramar sobre eles como se derramou outrora sobre os Apóstolos a graça superabundante do Espírito Santo anunciado por Joel.


Já fizemos notar que as missas de sábado das Quatro Têmporas têm sempre cinco lições entre o Intróito e a Epístola e que a 5ª é invariavelmente a relação ao martírio dos três mancebos de Babilônia. A oração da missa inspira-se neste passo da Escritura e pede à Divina Bondade que nos defenda da chama das paixões e dos vícios. As leituras aludem a colheita e à oferenda das primícias, porque as Quatro Têmporas foram instituídas precisamente para obter a benção de Deus para a nova estação que principia. Quando os israelitas entraram na terra da promissão, ofereceram a Deus os primeiros frutos da terra. Havendo entrado na terra em que o Filho de Deus no legou, quer dizer, na Igreja Católica, ofereçamos também por nossa parte ao Senhor todos os frutos que a graça produzir em nós.


Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Lucas: Naquele tempo:
Saindo Jesus da sinagoga, entrou na casa de Simão. A sogra de Simão estava com febre alta; e pediram-lhe por ela.
Inclinando-se sobre ela, ordenou ele à febre, e a febre deixou-a. Ela levantou-se imediatamente e pôs-se a servi-los.
Depois do pôr-do-sol, todos os que tinham enfermos de diversas moléstias lhos traziam. Impondo-lhes a mão, os sarava.
De muitos saíam os demônios, aos gritos, dizendo: Tu és o Filho de Deus. Mas ele repreendia-os severamente, não lhes permitindo falar, porque sabiam que ele era o Cristo.
Ao amanhecer, ele saiu e retirou-se para um lugar afastado. As multidões o procuravam e foram até onde ele estava e queriam detê-lo, para que não as deixasse.
Mas ele disse-lhes: É necessário que eu anuncie a boa nova do Reino de Deus também às outras cidades, pois essa é a minha missão.
E andava pregando nas sinagogas da Galiléia.


Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Teologia Ascética e Mística: Das virtudes e dos dons ou das faculdades da ordem sobrenatural - Das virtudes infusas



É certo conforme o Concílio de Trento, que no próprio momento da justificação recebemos as virtudes infusas da fé, da esperança e da caridade. E é doutrina comum, confirmada pelo catecismo do concílio de Trento, que as virtudes morais da prudência, justiça, fortaleza e temperança nos são comunicadas no mesmo instante. Não esqueçamos que estas virtudes nos dão, não a facilidade, senão o poder sobrenatural próximo de praticar atos sobrenaturais; senão necessários atos repetidos, para esse poder acrescentar a facilidade que dá o hábito adquirido.



Vejamos agora como estas virtudes no sobrenaturalizam as faculdades:



a) Umas são teologais, porque tem a Deus por objeto material, a algum atributo divino por objeto formal. A fé une-nos a Deus, suprema verdade, e ajuda-nos a ver e apreciar tudo a sua luz divina. A esperança une-nos Aquele que é a fonte de nossa felicidade, sempre disposto a derramar sobre nós os seus benefícios, para consumar a nossa transformação, e ajudar-nos com o seu poderoso auxílio e fazer atos de confiança absoluta e de filial entrega nas mãos de Deus sumamente bom em si mesmo; sob a sua influência, comprazemo-nos nas perfeições infinitas de Deus mais que se fossem nossas, desejamos que sejam conhecidas e glorificadas, travamos com ele uma santa amizade, uma doce familiaridade, e assim nos tornamos mais e mais semelhantes ao altíssimo. Estas três virtudes teologais une-nos, pois, diretamente a Deus.


b) As virtudes morais, que têm por objeto um bem honesto distinto de Deus, e por motivo a própria honestidade desse objeto, favorecem e perpetuam essa união com Deus, regulando tão bem as nossas ações que, a despeito dos obstáculos que se encontram dentro e fora de nós, tendem sem cessar para Deus. Assim é que a prudência nos leva a escolher os melhores meios para o nosso fim sobrenatural. A justiça, fazendo dar ao próximo o que lhe é devido, santifica as nossas relações com os nossos irmãos de tal forma que nos aproxima de Deus. A fortaleza arma-nos a alma contra a provação e a luta, faz-nos levar com paciência os sofrimento e empreender com santo arrojo os mais árduos trabalhos, para promover a glória de Deus. E, como o prazer criminoso nos afastaria disso, a temperança moderada em nós a ânsia do prazer, e subordina a lei do dever. E assim todas estas virtudes desempenham importantíssimo papel em remover o obstáculo, e a fornecer-nos até meios positivos que nos levem a Deus.


(Fonte: Compêndio de Teologia Ascética e Mística - Ed. Apostolado da Imprensa - 1961 - 6ª edição)