sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Teologia Ascética e Mística: Do organismo da vida cristã




As três divinas pessoas, que habitam o santuário da nossa alma, comprazem-se em enriquecer de dons sobrenaturais, e comunicam-nos uma vida semelhante à sua vida, que se chama vida de graça ou vida deiforme.



Ora, em qualquer vida há um tríplice elemento: um princípio vital, que é, por assim dizer a fonte da vida; faculdade, que permite produzir atos vitais; atos, enfim, que são os produtos dessas faculdades e contribuem para o seu desenvolvimento. Na ordem sobrenatural, o Deus, que em nós vive, produz em nossas almas esses três elementos. a) Comunica-nos primeiro a graça habitual, que desempenha em nós o papel de princípio vital e sobrenatural (Suma Teológica I,II, q.110, a. 3), diviniza por assim dizer, a própria substância da nossa alma, tronando-a apta, posto que remotamente, para a visão beatífica e para os atos que a preparam.



b) Desta graça derivam as virtudes infusas e os dons do Espírito Santo, que aperfeiçoam as nossas faculdades e nos dão o poder imediato de praticar atos deiformes, sobrenaturais e meritórios.



c) Para por em movimento estas faculdades, concede-nos graças atuais que nos iluminam a inteligência, fortificam a vontade e ajudam a praticar atos e a aumentar assim o capital de graça habitual que nos foi concedido.



Esta vida da graça, se bem que distinta da vida natural, não lhe é simplesmente sobreposta, senão que por completo a penetrar, transformar e divinizar. Assimila tudo quanto há de bom em nossa natureza, educação, hábitos adquiridos, aperfeiçoa e sobrenaturaliza todos estes elementos, orientando-os para o último fim, isto é, para a posse de Deus pela visão beatífica e amor que a acompanha.



É a esta vida sobrenatural que compete dirigir a vida natural, em virtude do princípio geral, que os seres inferiores são subordinados aos superiores. É que na verdade não pode durar e nem desenvolver-se, se não domina e não conserva sob a sua influência os atos da inteligência, das vontades e das outras faculdades, e com isso não destrói e nem diminui a natureza, antes a exalta e aperfeiçoa. Eis o que vamos mostrar, estudando sucessivamente os seus três elementos nas próximas postagens do blog de sexta-feira.



(Fonte: Compêndio de Teologia Ascética e Mística - Ed. Apostolado da Imprensa - 1961 - 6ª edição)

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Catecismo Online: "Donde há de vir julgar os vivos e os mortos" (Parte I)



Jesus honra e engrandece sua Igreja com três importantes cargos e ministérios: de Redentor, de protetor, e de Juiz.



Pelos artigos anteriores, sabemos que ele remiu o gênero humano pela sua Paixão e Morte, e que pela Ascensão perpétuo advogado e defensor de nossa causa. No presente artigo, resta explicar sua função de Juiuz. O artigo quer dizer que Cristo Nosso Senhor, naquele dia supremo, há de julgar todo gênero humano.



Atesta as Sagradas Escrituras que são duas as vindas do filho de Deus. A primeira foi quando assumiu a carne, para nos salvar, e se fez homem no seio da Virgem; a segunda será, quando vier para julgar os homens, na consumação dos séculos.




Nas Escrituras, esta segunda vinda se chama "O dia do Senhor"(1Ped 3, 10/ Apoc 3, 26), no qual diz o Apóstolo: "O dia do Senhor há de vir como um ladrão de noite"(Mt 24,36).



Em prova do Juízo final, basta citar esta passagem do Apóstolo: "Porque teremos de comparecer diante do tribunal de Cristo. Ali cada um receberá o que mereceu, conforme o bem ou o mal que tiver feito enquanto estava no corpo"(2Cor 5, 10).



Se desde o início do mundo, todos anunciavam pelo dia em que o Senhor se revestiu de nossa carne, porquanto neste mistério punham a esperança de seu resgate, também agora devemos - depois da Morte e Ascensão do filho de Deus - suspirar ardentemente pelo segundo Dia do Senhor, "aguardando a ditosa esperança e o aparecimento da glória do grande Deus"(Tit 2, 13).



Na explicação desta matéria, devemos nos ater às duas ocasiões, em que todos nós deveremos comparecer na presença do Senhor, para dar contas de todos os seus pensamentos, ações e palavras, e aceitar finalmente a sentença imediata do Juiz (Hebr 9, 27).




A primeira ocasião é o momento, em que cada um de nós deixa este mundo; é levado incontinênti ao tribunal do grande Deus, onde se examina com a máxima justeza, tudo o que jamais fez, disse, e pensou em sua vida. É o que chamamos de juízo particular.




A segunda ocasião, porém, há de ser quando todos os homens comparecerem juntos, no mesmo dia e lugar, perante o tribunal do Juiz, para que, na presença de todos os homens de todos os séculos, cada um venha a saber a sentença, que a seu respeito foi lavrada.





Para os ímpios e malvados esta declaração de sentença consistirá a não menor parte de suas penas e castigos; aos passos que os virtuosos e justos nela terão boa parte de sua alegria e galardão. Naquele instante, será pois revelado o que foi cada indivíduo, durante sua vida mortal. Este é o que chamamos de Juízo Universal.





(Fonte: Catecismo da Igreja Católica - 1962 - Ed. Vozes)

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Liturgia: Missa - Quinta parte da Missa. Comunhão



Na quinta parte da Missa, incluem-se: - 1º a preparação para a comunhão, e - 2º a Comunhão.


Preparação para a comunhão: Abrange o Pater Noster e Libera nos; a fragmentação da hóstia; o angus Dei; uma oração antes da comunhão que precede o ósculo da paz e duas outras orações da comunhão.



Pater Noster e Libera nos: É coisa natural que se conservasse um lugar na missa à fórmula de oração mais excelente, o Pater noster, ensinado pelo próprio Cristo. É o que a Igreja entendeu, logo nos primórdios do cristianismo. Tanto que, se cremos no testemunho de São Gregório Magno, nas épocas de perseguição, quando era maior o perigo e escasso o tempo, reduzia-se a missa a consagração, recitação do Pater e Comunhão.



Atualmente é precedido de curto prefácio, tomado de São Cipriano. O sacerdote, meio receoso, mas ainda confiante, diz ao Senhor que não se atreveria a chama-lo com o doce nome de Pai, se não fosse a esta ordem terminante de Jesus Cristo. Depois, o Pater é cantado pelo celebrante, até "Sed libera nos a malo", que o coro ou o acólito responde. O Amém do fim é o padre que o diz, em voz baixa.






P: Oremus. Praeceptis salutaribus moniti, et divina institutione formati, audemus dicere:
P: Pater noster, qui es in coelis: sanctificetur nomen tuum: adveniat regnum tuum: fiat voluntas tua sicut in coelo et in terra. Panem nostrum quotidianum da nobis hodie: et dimitte nobis debita nostra, sicut et nos dimittimus debitoribus nostris. Et ne nos inducas in tentationem.
R: Sed libera nos a malo.
P: Amen.






O sacerdote insiste no último pedido do Pater noster. Repete-o, desenvolve-o e implora que fiquemos livre de todos os males passados, presentes e futuros e vamos fruindo os benefícios da paz divina. Este acréscimo, feito a oração dominical, é geralmente chamado de embolismo.



P: Libera nos, quaesumus Domine, ab omnibus malis praeteritis, praesentibus, et futuris: et intercedente beata et gloriosa semper Virgine Dei Genitrice Maria, cum beatis Apostolis tuis Petro at Paulo, atque Andrea, et omnibus sanctis, da propitius pacem in diebus nostris: ut ope misericordiae tuae adjuti, et a peccato simus semper liberi, et ab omni perturbatione securi.
P: Per eumdem Dominum nostrum Jesum Christum Filium tuum. Qui tecum vivit et regnat in unitate Spiritus Sancti Deus. Per omnia saecula saeculorum.
R: Amen.
P: Pax † Domini sit † semper vobiscum † .
R: Et cum spiritu tuo.



Fração da Hóstia: Enquanto termina o "Libera nos", o padre inicia a fragmentação da hóstia. O fim deste rito vem a ser: - Imitar a Nosso Senhor, pois na última Ceia Jesus partiu o pão, antes de distribuir aos apóstolos; simboliza a morte do salvador na cruz, a separação de sua alma e do seu corpo; e preparação para a comunhão. Fragmenta-se o pão para distribuí-los aos fiéis, servindo-lhes como alimento espiritual. Nos primeiros séculos a hóstia era consideravelmente grande, partiam-se nas patenas. A partícula conservada, lançava-se no preciosíssimo sangue, figurando assim a percentualidade do sacrifício. Era de costume no início o papa e os bispos enviavam a outros bispos e a padres estas parcelas de hóstia consagrada em sinal de união e superioridade hierárquica.



Logo em seguida, o sacerdote traça o sinal da cruz com a patena, beijando-lhe a extremidade mostrando assim respeito ao corpo de Nosso Senhor que nela vai repousar. Toma então a hóstia e divide-a em três pedaços. O sacerdote que antes segurava um pedaço da hóstia, lança-o dentro do cálice simbolizando a união das duas espécie na Ressurreição de Nosso Senhor, e que Jesus Cristo está presente por inteiro nas duas espécies.



Agnus Dei: Pela fragmentação da hóstia e pela introdução de uma parcela no Preciosíssimo Sangue, vemos Jesus Cristo, Cordeiro de Deus sendo sacrificado e imolado e ao mesmo tempo ressurgindo da morte. Relaciona-se com estes dois ritos a súplica do Agnus Dei, o Cordeiro de Deus. Bate-se três vezes no peito durante esta oração na intenção de se demonstrar arrependimento.



P: Agnus Dei, qui tollis peccata mundi, miserere nobis. Agnus Dei, qui tollis peccata mundi, miserere nobis. Agnus Dei, qui tollis peccata mundi, dona nobis pacem.



Primeira oração antes da comunhão: É de suma conveniência que habite a paz de Deus nos corações que irão receber o corpo santíssimo de Nosso Senhor. Por isso o sacerdote insistentemente pede a paz interior para si e para toda a Igreja. A primeira oração antes da comunhão o sacerdote recorda a mensagem de Nosso Senhor que concedia a seus apóstolos e discípulos a paz. Essa oração vem seguida do ósculo da paz que remonta a Igreja dos primeiros séculos. No século XIII começou-se a fazer restrições. Reduziu-se as missas solenes e do clero.



P: Domine Jesu Christe, qui dixisti Apostolis tuis: pacem relinquo vobis, pacem meam do vobis: ne respicias peccata mea, sed fidem Ecclesiae tuae; eamque secundum voluntatem tuam pacificare et coadunare digneris. Qui vivis et regnas Deus, per omnia saecula saeculorum. Amen.



Duas últimas orações antes da comunhão: Dado o ósculo da paz o celebrante diz, em voz baixa, mais duas orações preparatórias antes da comunhão. Nelas dirige-se a Jesus Cristo, que está para entrar no seu peito, e rogar-lhes as disposições idôneas para auferir da comunhão todos os frutos da salvação.



P: Domine Jesu Christe, Fili Dei vivi, qui ex voluntate Patris cooperante Spritu Sancto, per mortem tuam mundum vivificasti: libera me per hoc sacrosanctum Corpus et Sanguinem tuum ab omnibus iniquitatibus meis et universis malis: et fac me tuis semper inhaerere mandatis: et a te nunquam separari permittas: qui cum eodem Deo Patre et Spiritu Sancto vivis et regnas Deus in saecula saeculorum. Amen.
P: Perceptio Corporis tui, Domine Jesu Christe, quod ego indignus sumere praesumo, non mihi proveniat in judicium et condemnationem: sed pro tua pietate prosit mihi ad tutamentum mentis et corporis, et ad medelam percipiendam. Qui vivis et regnas cum Deo Patre in unitate Spiritus Sancti Deus, per omnia saecula saeculorum. Amen.



Comunhão do Sacerdote: Quando as corações preparatórias, o padre segura as duas metades da hóstia, traça com elas o sinal da cruz, como se benzer-se a si próprio, e consome o santíssimo corpo do Salvador dizendo:



Passando poucos instantes de recolhimento e adoração, o padre dobra o joelho. Ajunta então no cálice parcelas de hóstias que porventura tivesse ficado no corporal e na patena, e dá graças.



P: Panem coelestem accipiam et nomen Domini invocabo.
P: Domine, non sum dignus ut intres sub tectum meum: sed tantum dic verbo, et sanabitur anima mea (three times).
P: Corpus Domini nostri Jesu Christi custodiat animam meam in vitam aeternam. Amen.



Comunhão dos Fiéis: Segue abaixo do sacerdote. Realizava-se em tempos remotos, com as duas espécies. O celebrante depositava a Eucaristia, sob a espécie do pão, na mão direita de cada comungante, pronunciando a palavra: "Corpus Christi", o Corpo de Cristo. O diácono apresentava ao fiel o cálice, dizendo: "Sanguis Christi, calix vitae", o Sangue de Cristo o cálice da vida. Era ato de fé na presença real de Cristo debaixo das santas espécies. No século XIII, ficou abolida a comunhão sob a espécie do vinho. Entretanto, apresentava-se aos fiéis o vinho não consagrado, para que fosse mais fácil a deglutição da Santíssima Hóstia.



P: Corpus Domini nostri Jesu Christi custodiat animam tuam in vitam aeternam. Amen.
P: Quod ore sumpsimus Domine, pura mente capiamus: et de munere temporali fiat nobis remedium sempiternum.
P: Corpus tuum, Domine, quod sumpsi, et Sanguis, quem potavi, adhaereat visceribus meis: et praesta, ut in me non remaneat scelerum macula, quem pura et sancta refecerunt sacramenta. Qui vivis et regnas in saecula saeculorum. Amen.



Abluções: A rubrica prescreve duas abluções, para que nenhuma gotinha fique do Preciosíssimo Sangue e nenhuma parcela do Corpo sacratíssimo de Nosso Senhor. Ablução do cálice e dos dedos do sacerdotes que tocaram a santíssima hóstia.



Fonte: Doutrina Católica - Manual de instrução religiosa para uso dos Ginásios, Colégios e Catequistas voluntários - Curso Superior - Terceira parte - Meios de Santificação - Liturgia - Livraria Francisco Alves - Editora Paulo de Azevedo Ltda - São Paulo; Rio de Janeiro; e Belo Horizonte - 1927

São Matias, Apóstolo




A Epístola da Missa refere-nos o episódio da eleição de São Matias, tal como os atos no-la conservam. Lá se insiste no duplo fato que, discípulo de Cristo, fora testemunha de quanto o Mestre disse e fez e de que Deus o designou em sortes para se juntar aos Apóstolos em vez de Judas, o traidor. Preparado assim e inculbido por Deus do mandato de pregar e confirmar como o seu testemunho os segredos que o Pai revelara ao mundo por meio de seu Filho. São Matias é venerado pela Igreja em pé de igualdade com os doze Apóstolos, cuja a voz havia de soar por toda a terra através dos tempos. Tem-se geralmente como certo que pregasse na Etiópia e que aí sofresse o martírio.

Evangelho da Festa do Apóstolo:

Sequentia Sancti + Evangelli secundum Mathaeum.


in illo tempore respondens Jesus dixit confiteor tibi Pater Domine cæli et terræ quia abscondisti hæc a sapientibus et prudentibus et revelasti ea parvulis
ita Pater quoniam sic fuit placitum ante te
omnia mihi tradita sunt a Patre meo et nemo novit Filium nisi Pater neque Patrem quis novit nisi Filius et cui voluerit Filius revelare
venite ad me omnes qui laboratis et onerati estis et ego reficiam vos
tollite jugum meum super vos et discite a me quia mitis sum et humilis corde et invenietis requiem animabus vestris

Vernáculo:

Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas: Naquele tempo:
Jesus pronunciou estas palavras: Eu te bendigo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequenos.
Sim, Pai, eu te bendigo, porque assim foi do teu agrado.
Todas as coisas me foram dadas por meu Pai; ninguém conhece o Filho, senão o Pai, e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho quiser revelá-lo.
Vinde a mim, vós todos que estais aflitos sob o fardo, e eu vos aliviarei.
Tomai meu jugo sobre vós e recebei minha doutrina, porque eu sou manso e humilde de coração e achareis o repouso para as vossas almas.
Porque meu jugo é suave e meu peso é leve.

Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

domingo, 24 de fevereiro de 2008

III Domingo da Quaresma: "Jesus expulsa um demônio impuro. E uma mulher exclama: Bem-aventurado o seio que te gerou" (Ev.)



A assembléia de hoje reunia-se na Igreja de São Lourenço Fora dos muros, onde descansam os restos mortais de São Lourenço e de Santo Estevão, e que é uma das cincos Basílicas Patriarcais de Roma. A oração de São Lourenço pede a Deus a graça de venerarmos o ardor da concupiscência como o heroísmo e a tenacidade com que o mártir venceu as chamas do suplício; e a de Santo Estevão convida-nos a amar os inimigos e a pedir por aqueles que nos perseguem. Estas duas grandes virtudes, melhor que ninguém praticou os patriarcas José cuja história o ofício deste semana relata. Fugiu às solicitações da mulher de purificar e perdoou e intercedeu pelos irmãos que o tinham vendido. Mas é como figura de Cristo, sobretudo, que a fisionomia de José toma particular relevo.

Conhecem todos assas a história de José, vendido pelos irmãos, preso e levado cativo para o Egito, conquistando as graças do Faraó até se lhe sentar a direita, encarregado por ele do governo do reino, para ver em tudo isto os traços, a figura por assim dizer, preexistente de Jesus Cristo nos mistérios da Paixão e Ressurreição. Familiarizados com a simbologia do Antigo Testamento, os nossos maiores amarram-na com predileção e encontravam nela a explicação dos mistérios da Redenção. Quando liam na Bíblia a história de José, o seu pensamento logo voava para o Salvador: "Sou eu José, a quem vendestes. Mas não temais. Que Deus fez tudo para que vos salvasse da morte". Mais de um texto da missa de hoje pode colocar-se como uma oração nos lábios de José. Ao cantá-los procuremos fazê-lo com aquele espírito confiante e profundamente religioso que animou e conduziu todos os passos desta grande figura. O Evangelho apresenta o Senhor a expulsar o demônio do corpo de um possesso. Confiemos nele, porque mais forte que Satanás, vencerá conosco o filho de Deus. Aos fariseus que não queriam admitir a sua missão redentora, declara que já chegou a hora, em que o príncipe deste mundo será corrido. Haverá também quem volte atrás, à lama do pecado, mas nem por isso a sua vitória será menos completa.


Evangelho de Domingo:


Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas: Naquele tempo:
Jesus expelia um demônio que era mudo. Tendo o demônio saído, o mudo pôs-se a falar e a multidão ficou admirada.
Mas alguns deles disseram: Ele expele os demônios por Beelzebul, príncipe dos demônios.
E para pô-lo à prova, outros lhe pediam um sinal do céu.
Penetrando nos seus pensamentos, disse-lhes Jesus: Todo o reino dividido contra si mesmo será destruído e seus edifícios cairão uns sobre os outros.
Se, pois, Satanás está dividido contra si mesmo, como subsistirá o seu reino? Pois dizeis que expulso os demônios por Beelzebul.
Ora, se é por Beelzebul que expulso os demônios, por quem o expulsam vossos filhos? Por isso, eles mesmos serão os vossos juízes!
Mas se expulso os demônios pelo dedo de Deus, certamente é chegado a vós o Reino de Deus.
Quando um homem forte guarda armado a sua casa, estão em segurança os bens que possui.
Mas se sobrevier outro mais forte do que ele e o vencer, este lhe tirará todas as armas em que confiava, e repartirá os seus despojos.
Quem não está comigo, está contra mim; quem não recolhe comigo, espalha.
Quando um espírito imundo sai do homem, anda por lugares áridos, buscando repouso; não o achando, diz: Voltarei à minha casa, donde saí.
Chegando, acha-a varrida e adornada.
Vai então e toma consigo outros sete espíritos piores do que ele e entram e estabelecem-se ali. E a última condição desse homem vem a ser pior do que a primeira.
Enquanto ele assim falava, uma mulher levantou a voz do meio do povo e lhe disse: Bem-aventurado o ventre que te trouxe, e os peitos que te amamentaram!
Mas Jesus replicou: Antes bem-aventurados aqueles que ouvem a palavra de Deus e a observam!


Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Contra-Reforma: O Espírito de contra-reforma

Hoje iniciamos uma série de postagens que terá por objetivo desmascarar os erros da heresia que a cada dia ganha espaço no Brasil. O Brasil é considerado o país com o maior número de pessoas que se declaram católicos. Nasceu com as bênçãos da Igreja em 1500, e até a presente data, continua com um número expressivo de católicos. Os ataques furiosos dos hereges, que em sua maioria de proveniência protestante pentecostal, tem levado muitos fiéis da Igreja de Cristo a caírem no erro da heresia e da blasfêmia.


Começaremos nossas postagem com uma fascinante viajem pela história, para conhecermos as heresias que surgiram no início do cristianismo e que até hoje influência muitos. Iremos comparar as heresias do passado com as dos presente, e assim veremos que estas não são muito diferentes. Faremos uma análise desses erros, tanto no que diz respeito a doutrina quanto no que diz respeito a moral e a ética.



Destruiremos o mito da inquisição sanguinária e cruel criada pelos historiadores que seguem o pensamento materialista de Marx. Chegaremos a uma conclusão referente as grandes Cruzadas que foram promovidas pelos cristão para salvar os fiéis perseguidos pelos muçulmanos e a devolução da terra santa dos cristãos.



Na primeira postagem vamos nos ater sobre o espírito de contra-reforma.



A contra-reforma foi a resposta dada pela Igreja contra a pseudo-reforma de Lutero no século XVI, que se separou da Igreja por meio da rebeldia e do pecado. Lutero chamou seu movimento de "reforma", sendo que, de reforma não tivera nada, a não ser a destruição dos verdadeiros ensinamentos de Nosso Senhor Jesus Cristo confiados a sua única Igreja. Lutero não entendera muitos dos dogmas da Igreja e muito menos tivera uma boa instrução religiosa para exercer a teologia, sendo fraco nas disciplinas e na piedade.



O Espírito de Contra-reforma fora inaugurado pelo Concílio de Trento no século XVI e durou oficialmente até o Concílio Vaticano II nos anos 60 do Século XX. Uma das observações que se pode notar da tentativa de se encerrar a Contra-reforma foi a doutrina permissiva do Ecumenismo, que fora condenada por Papas anteriores ao mesmo.


Não devemos deixar que o verdadeiro espírito de Contra-reforma, seja dissolvido mediante a tantos erros e perversidades que se encontra o mundo atual. Devemos proclamar e exaltar a verdade sem medo dos manifestos e protestos dos hereges, para que assim possamos dizer com o salmista: "É que o zelo de vossa casa me consumiu, e os insultos dos que vos ultrajam caíram sobre mim"(Sal 68, 10).

Divisão do Módulo:
História Eclesiástica: História das Heresias - I Parte
Liberalismo e Apostasia - II Parte
Concílio Vaticano II - III Parte
A Contra-reforma no mundo Moderno - Parte Final
No próximo sábado iremos iniciar o primeiro módulo no qual iremos estudar a história das heresias. A aula inaugural será sobre o significado da palavra heresia.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Teologia Ascética e Mística: Os nossos deveres para com a Santíssima Trindade que vive em nós




Quem possui dentro de si um tesouro como a Santíssima Trindade, deve pensar nele muitas vezes. Ora este pensamento faz nascer três sentimentos principais: a adoração, o amor e a imitação.


O primeiro sentimento, que brota espontaneamente do coração, é o da adoração: "Porque fostes comprados por um grande preço. Glorificai, pois, a Deus no vosso corpo"(1Cor 6, 20). E na verdade, como não glorificar, bendizer, dar graças as estes hóspede divino que nos transforma a alma em um verdadeiro santuário? Quando Maria Santíssima recebeu em seu seio casto o Verbo Encarnado, a sua vida desde então, não foi mais que um ato perpétuo de adoração e recolhimento: E Maria disse: Minha alma glorifica ao Senhor... porque realizou em mim maravilhas aquele que é poderoso e cujo nome é Santo"(Luc 1, 46, 49): tais são também, posto que em grau inferior, os sentimentos duma alma que se compenetram na habitação do Espírito Santo em si mesma: compreende que, sendo templo de Deus deve oferecer-se interruptamente como hóstia de louvor à glória das três pessoas divinas. a) Ao princípio das suas ações, fazendo o sinal da cruz in nomine Patris et Filii et Spiritus Sancti, consagra-lhe cada uma delas; ao terminá-las, reconhece que todo o bem que fez lhe deve ser atribuído: Glória Patri et Filio et Spiritui Sancto. b) Delicia-se a repetir as orações litúrgicas que celebram os louvores da Santíssima Trindade: o Glória in excelsis Deo, que exprime tão bem todos os sentimentos de religião para com as divinas pessoas e sobretudo para com o verbo Encarnado; o sanctus, que proclama a santidade divina; o Te Deum que é um hino de gratidão. c) Em presença deste hóspede divino que, por ser tão bondoso, nem por isso deixa de ser Deus, reconhece a alma humildemente a sua inteira dependência daquele que é seu primeiro princípio e último fim, a sua incapacidade de o louvar como ele merece, e, neste sentimento, une-se ao espírito de Jesus, o único que pode dar a Deus a glória a que ele tem direito: "Outrossim, o Espírito vem em auxílio à nossa fraqueza; porque não sabemos o que devemos pedir, nem orar como convém, mas o Espírito mesmo intercede por nós com gemidos inefáveis"(Rom 8, 26).



Depois de ter adorado a Deus e proclamado o próprio nada, deixa-se a alma levar aos sentimentos do amor mais repassado de confiança. Com ser Deus de infinita majestade, inclina-se para nós como Pai mais amante para seu filho e convida-nos a amá-lo, a dar-lhe o nosso coração: "Meu filho, dá-me teu coração. Que teus olhos observem meus caminhos"(Prov 23, 26). Este amor, tem Ele de o exigir imperiosamente; prefere contudo pedir-no-lo docemente, afetuosamente, para que haja, por assim dizer, mais espontaneidade em nossa correspondência, mais confiança filial em nosso recurso a Ele. Como não corresponder a tão delicadas finezas, a tão maternais solicitudes com amor cheio de confiança? Será amor penitente, para expiar as tão numerosas infidelidades no passado e no presente; amor reconhecido, para dar graças a este insigne benfeitor, a este colaborador dedicado, que nos cultiva a alma com tanta solicitude; mas sobretudo amor de amizade, que nos fará conversar docemente com o mais fiel e generoso dos amigos, e abraçar todos os seus interesses, procurar a sua glória, fazer glorificar o seu santo nome. Não será, pois, mero sentimento afetuoso: será amor generoso, que vá até o sacrifício e esquecimento de si mesmo, até à renúncia da vontade própria pela submissão aos preceitos e conselhos divinos.



Este amor levar-nos-á, a imitação da Adorável Trindade na medida em que esta é compatível com a fraqueza humana. Filhos adotivos de um Pai infinitamente Santo, templos vivos do Espírito Santo, compreendemos melhor a necessidade de respeitar o nosso corpo e a nossa alma. Era esta a conclusão que o Apóstolo inculcava a seus discípulos: "Não sabeis que sois o templo de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá. Porque o templo de Deus é sagrado - e isto sois vós"(1Cor 3, 16-17). A experiência prova que não há, para as almas generosas, motivo mais poderoso que aquele, para as desviar do pecado e excitar as práticas das virtudes. E na verdade, não é mister purificar e adornar incessantemente um templo onde reside o Deus três vezes santo? Demais quando Jesus Cristo nos quer propor um ideal de perfeição, não o vai buscar fora da Santíssima Trindade: "Portanto, sede perfeitos, assim como vosso Pai celeste é perfeito"(Mat 5, 48). À primeira vista, parece excessivamente elevado este ideal; se porém, nos lembrarmos que somos filhos adotivos do Pai, e que Ele vive em nossa alma, para nela imprimir a sua imagem e colaborar em nossa santificação, compreendemos que nobreza obriga e que é um dever aproximar-nos incessantemente das divinas perfeições. É sobretudo para praticar a caridade fraterna que Jesus nos pede que tenhamos diante dos olhos este modelo perfeito, que é indivisível unidade das três pessoas divinas: "Para que todos sejam um, assim como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, para que também eles estejam em nós e o mundo creia que tu me enviaste"(João 17, 21). Oração enternecedora, de que São Paulo um dia se fará eco, suplicando aos seus caros discípulos para que não esqueçam, eles sendo como são um só corpo e um só espírito, e não tendo senão um único e mesmo Pai que habita em todos os justos, devem conservar a unidade do espírito pelo vínculo da Paz (Efe 4, 3-6).



Para resumir tudo, podemos concluir que a vida cristã consiste, antes de tudo, numa união íntima, afetuosa e santificante com as três pessoas divinas, que nos conserva no espírito de religião, amor e sacrifício.



(Fonte: Compêndio de Teologia Ascética e Mística - Ed. Apostolado da Imprensa - 1961 - 6ª edição)



quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Catecismo Online: "Subiu aos céus e está sentado a direita de Deus Pai Toto-Poderoso" (Parte III)



Pela doutrina do Apóstolo, também subiu aos céus "para apresentar-se agora ante a face de Deus em favor nosso" (Hebr 9, 24), e exercer perante ao Pai o ofício de advogado. "Filhinhos meus, diz São João, escrevo-vos isto, para que não pequeis. No entanto, se alguém pecar; por advogado junto ao Pai temos a Jesus Cristo, o justo. Ele próprio é propiciação dos nossos pecados" (I João 2, 1ss).


Nada pode inspirar aos fiéis mais alegria e felicidade, do que verem a Jesus Cristo feito patrono de nossa causa, e intercessor pela nossa salvação. Ele que goza junto do Eterno Pai de suma valia e autoridade.



Afinal, preparou-nos um lugar, conforme o havia prometido. Foi em nome de todos nós que Jesus Cristo, como nosso chefe, entrou na glória celeste.



Com sua ida para o céu, abriu as portas que se tinham fechado, em conseqüência do pecado de Adão. Franqueou-nos um caminho para chegarmos à celestial bem-aventurança, conforme predissera aos discípulos na última Ceia. Para confirmar sua promessa com a realidade dos fatos, levou consigo, para a mansão da eterna bem-aventurança, as almas dos justos que tinha arrancado dos infernos.



Esta admirável abundância e dons celeste vem acompanhada de valiosa série de frutos e vantagens.



Primeiramente o mérito de nossa fé cresce até o último grau; porquanto a fé se refere as coisas inacessíveis à nossa vista, e que não ficam ao alcance de nossa razão e inteligência. Portanto, se o Senhor se apartara de nós, diminuir-se-ia o mérito de nossa fé; pois Cristo Nosso Senhor exalta como bem-aventurados "os que não viram, mas creram" (João 20, 29).



Ademais, a subida de Cristo aos céus tem a grande força de confirmar a esperança que se aninha em nossos corações. Crendo que Cristo subiu aos céus, em quanto Homem, e colocou a natureza humana à direita de Deus Pai, grande é a nossa esperança de que também para lá haveremos de subir, como membros seus e de unir-nos com nossa Cabeça (Efes 4, 15 / Col 1, 18). Foi o que o Senhor asseverou pessoalmente: Pai, quero que, onde eu estou, estejam também aqueles que tu me destes" (Jo 17, 24).



Além disso o maior benefício que auferimos foi o de Cristo arrebatar consigo para o céu nosso amor, e de abrasá-lo no Espírito Santo de Deus. Com grande verdade se disse: "Nosso coração está onde estiver nosso tesouro" (Mat 6, 21).



Realmente, permanecesse Jesus Cristo na terra, todas as nossas considerações se concentrariam em seu porte e trato humano. Nele veríamos um homem, que nos cumulou de assinalados benefícios, e por ele teríamos certa afeição natural e terrena.



No entanto, pelo fato de ter subido aos céus, ele espiritualizou nosso amor; fez-nos amar e venerar, como Deus, Aquele que sabemos estar agora ausente.



Nós o verificamos em parte pelo exemplo dos Apóstolos. Enquanto o Senhor estava presente no meio deles, parecia que o consideravam por um prisma quase humano. De outro lado, o próprio Senhor nos afirma com sua palavra: "para vós é bom que eu vá"(Jo 16, 7). Aquele amor imperfeito com que eles amavam Jesus Cristo presente devia ser aperfeiçoado pelo amor divino, e por sinal a vinda do Espírito Santo. Razão porque logo acrescentou: "Se eu não me ausentar, não virá para vós o Consolador" (Jo 16, 7).



Acresce que, assim, Nosso Senhor dilatou sua casa na terra, que é a Igreja, cujo o governo devia ser dirigido pela virtude e assistência do Espírito Santo. Como pastor e chefe supremo de toda a Igreja deixou entre os homens a Pedro, príncipe dos Apóstolos.



Além disso, "a uns constituiu apóstolos, a outros profetas, a outros evangelistas, a outros pastores e mestres"(Efes 4, 11 / 1Cor 12, 28ss). E, sentado à direita do Pai, não cessa de distribuir, a uns e a outros, os dons que lhes convém a eles como diz o Apóstolo: "A cada um de nós foi dado a graça, segundo a medida com que Cristo a distribuiu"(Efes 4, 7).



Ao fato da Ascensão deve os fiéis aplicar por último os mesmos princípios que expusemos, anteriormente, a propósito dos mistérios da Morte e Ressurreição.



Nossa perfeita salvação, nós a devemos aos sofrimentos de Cristo; e seus méritos plantearam aos justos a entrada para os céus.



Isto não obstante, a Ascensão de Cristo apresenta-se-nos como um modelo, que nos ensina a olhar para o alto, e transportar-nos ao céu em espírito. Dá-nos, entretanto, uma força divina que nos pões em condições de fazê-lo.



(Fonte: Catecismo da Igreja Católica - 1962 - Ed. Vozes)

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Liturgia: Missa Quarta parte da Missa. Consagração



O prefácio (em latim paefatio, "prae" antes, "fari" dizer), como o nome o indica, é a introdução às orações do Canon. O começo é constituído pela conclusão da secreta. Depois, o padre saúda de novo a assistência, como se quisesse despertar-lhe a atenção. Pede-lhe que eleve o coração até às coisas do céu. Inclina-se depois para a cruz do altar, memorial dos benefícios da Redenção, e começa um hino de ação de graças em que vai enumerado alguns motivos do nosso recolhimento para Deus: a Encarnação, a Redenção e a Paixão. Encontra-se sempre este mesmo pensamento nos muitos prefácios dos antigos Sacramentários. A liturgia romana conservou onze. Mais dois foram acrescentados recentemente. Poucas variantes há entre uns e outros. Eis o prefácio comum:



P: Per omnia saecula saeculorum.
R: Amen.
P: Dominus vobiscum.
R: Et cum spiritu tuo.
P: Sursum corda.
R: Habemus ad Dominum.
P: Gratias agamus Domino Deo nostro.
R: Dignum et justum est.
P: Vere dignum et justum est, aequum et salutare, nos tibi semper, et ubique gratias agere: Domine sancte, Pater omnipotens, aeterne Deus. Qui cum unigenito Filio tuo, et Spiritu Sancto, unus es Deus, unus es Dominus: non in unius singularitate personae, sed in unius Trinitate substantiae. Quod enim de tua gloria, revelante te, credimus, hoc de Filio tuo, hoc de Spiritu sancto, sine differentia discretionis sentimus. Ut in confessione verae, sempiternaeque Deitatis, et in personis proprietas, et in essentia unitas, et in majestate adoretur aequalitas. Quam laudant Angeli, atque Archangeli, Cherubim quoque ac Seraphim: qui non cessant clamare quotidie, una voce dicentes:



Sanctus ou Triságio: (do grego "Treis" três vezes, "hagios" santo). - O Sanctus parece algum tanto espontâneo, metido assim entre o prefácio e o cânon. Mas este hino triunfal, em honra da divindade, é anunciado e preparado pelas últimas palavras do prefácio.



Quando à composição, o Sanctus é formado de duas partes: - a)Do princípio até o Benedictus, é tomado do profeta Isaías, que viu o Senhor sentado num trono elevado, com Serafins que o cercavam e adejavam por cima, chamando uns aos outros: "Santo, Santo, Santo... " (Isaías 6, 1,3). - b) O Benedictus, segunda parte, é o mesmo clamor de júbilo que ovacionava, nos tempos de Nosso Senhor, a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém. Deve-se cantar o Benedictus logo após a consagração, para melhor exalçar e glorificar a vinda de Jesus Cristo ao altar. No Sanctus, agita-se a campainha para lembrar aos fiéis que está próxima a hora da consagração.





P: Sanctus, Sanctus, Sanctus, Dominus Deus Sabaoth. Pleni sunt coeli et terra gloria tua. Hosanna in excelsis. Benedictus qui venit in nomine Domini. Hosanna in excelsis.





Cânon - Tem ainda o nome de "ação" porque é a ação por excelência. Abrange as preces e cerimônias da Missa desde o Sanctus até o Pater. Na origem, não se escreviam estas preces, de modo que não se pode dizer quem fixou estas formas atuais de cânon nem quando isso se fez. Sabemos, no que diz respeito ao fundo, que nos vem Nosso Senhor, dos Apóstolos e dos sucessores de São Pedro. O Concílio de Trento o diz. É certo que, no princípio, se recitava, como as outras partes da Missa, para que todos os fiéis pudessem ouvir. Mas, no século XI, a Igreja mandou que fosse rezado em voz baixa. Queria, com isso, indicar aos assistentes que este mistério era reservado ao padre. Queria, sobretudo, incitá-los à reflexão, ao recolhimento, à adoração interior. - No aspecto místico, o altar, silencioso na hora mais solene, é figura do Presépio e do Calvário. Estes também presenciaram, na capela da meia-noite ou das milagrosas trevas da tarde, os dois mistérios assombrosos do nascimento e da morte do Senhor.



Podemos considerar, no cânon, três partes: a) a prece antes da consagração; - b)preces da Consagração; e - c) preces da consagração.


As preces antes da Consagração:


Te Igitur: Nesta prece o sacerdote pede que Deus aceite os dons oferecido e também pede pela Igreja, pelo Sumo Pontífice e pelo Bispo diocesano.

P: Te igitur clementissime Pater, per Jesum Christum Filium tuum Dominum nostrum, supplices rogamus ac petimus, uti accepta habeas, et benedicas haec † dona, haec † munera, haec sancta sacrificia illibata, in primis quae tibi offerimus pro Ecclesia tua sancta Catholica; quam pacificare, custodire, adunare, et regere digneris toto orbe terrarum: una cum famulo tuo Papa nostro N. et Antistite nostro N. et omnibus orthodoxis, atque Catholicae et Apostolicae fidei cultoribus.



Memento dos vivos: Nessa parte do cânon o celebrante pelos fiéis falecidos. No século VII ou VIII, já não permitia a leitura do nome dos mortos em voz alta.



P: Memento Domine famulorum, famularumque tuarum N. et N. et omnium circumstantium, quorum tibi fides cognita est, et nota devotio, pro quibus tibi offerimus: vel qui tibi offerunt hoc sacrificium laudis pro se, suisque omnibus: pro redemptione animarum suarum, pro spe salutis et incolumitatis suae: tibique reddunt vota sua aeterno Deo vivo et vero.




Comunicantes: Uma prece da Igreja que a gora se dirige a Igreja Celeste e triunfante. Pede-se pela intercessão A virgem e aos gloriosos mártires.


P: Communicantes, et memoriam venerantes, in primis gloriosae semper virginis Mariae genitricis Dei et Domini nostri Jesu Christi: sed et beatorum Apostolorum ac martyrum tuorum, Petri et Pauli, Andreae, Jacobi, Joannis, Thomae, Jacobi, Philippi, Bartholomaei, Matthaei, Simonis et Thaddaei: Lini, Cleti, Clementis, Xysti, Cornelii, Cypriani, Laurentii, Chrysogoni, Joannis et Pauli, Cosmae et Damiani, et omnium sanctorum tuorum: quorum meritis precibusque concedas, ut in omnibus protectionis tuae muniamur auxilio. Per eumdem Christum Dominum nostrum. Amen.



Hanc Igitur: O sacerdote impondo as mãos sobre o cálice e a hóstia menciona que Cristo nosso Sacrifício carrega sobre si o peso dos nossos pecados, do mesmo modo como eram realizados os sacrifícios da antiga lei no qual o sacerdote judeu impunha as mãos sobre a cabeça do animal que seria sacrificado.


P: Hanc igitur oblationem servitutis nostrae, sed et cunctae familiae tuae, quaesumus, Domine, ut placatus accipias: diesque nostros in tua pace disponas, atque ab aeterna damnatione nos eripi, et in electorum tuorum jubeas grege numerari. Per Christum Dominum nostrum. Amen


Quam Oblationem: Uma oração preparatória em que o celebrante faz cinco vezes o sinal da cruz sobre as espécies, simbolizando as cincos chagas de Cristo no momento da morte no Calvário.

P: Quam oblationem tu, Deus, in omnibus, quaesumus benedictam †, adscriptam †, ratam †, rationabilem, acceptabilemque facere digneris: ut nobis Corpus †, et Sanguis † fiat dilectissimi Filii tui Domini nostri Jesu Christi.


Preces da consagração:


É esta a hora mais solene do sacrifício da Missa. O sacerdote não passa solene do sacrifício da Missa. O sacerdote não passa de ministro e intermediário de Nosso Senhor Jesus Cristo. Fala e consagra em nome dele. Por isso repete, exatamente e rigorosamente, com todas as minúcias, as palavras e aos atos de Jesus na Última Ceia. Narra o fato da instituição da Eucaristia e pronuncia a fórmula sacramental, como ele mesmo o próprio Jesus Cristo. E, ao mesmo tempo, vai reproduzindo com a possível fidelidade os gestos de Nosso Senhor que a Sagrada Escritura nos refere: olhares volvidos para o céu em sinal de agradecimento, benção do pão e do vinho.


Após a consagração da hóstia e do vinho, o padre genuflete em sinal de adoração e eleva as espécies consagradas para que os fiéis adorem também. Este costume aparece na Igreja no século XII em protesto a heresia dos Berengários. A elevação do cálice apareceu na Igreja tempos mais tarde nos séculos XV e XVI.


P: Qui pridie quam pateretur, accepit panem in sanctas ac venerabiles manus suas: et elevatis oculis in coelum ad te Deum Patrem suum omnipotentem, tibi gratias agens, benedixit †, fregit, deditque discipulis suis, dicens: Accipite et manducate ex hoc omnes:
HOC EST ENIM CORPUS MEUM


P: Simili modo postquam coenatum est, accipiens et hunc praeclarum Calicem in sanctas ac venerabiles manus suas: item tibi gratias agens, benedixit †, deditque discipulis suis, dicens: Accipite et bibite ex eo omnes:
HIC EST ENIM CALIX SANGUINIS MEI, NOVI ET AETERNI TESTAMENTI: MYSTERIUM FIDEI, QUI PRO VOBIS ET PRO MULTIS EFFENDETUR IN REMISSIONEM PECCATORUM
P: Haec quotiescumque feceritis in mei memoriam facietis.


Preces depois da consagração:


Primeira Oração: Na primeira parte trata-se de uma recordação da Paixão Morte, ressurreição e Ascensão de Cristo. A segunda parte trata-se de uma súplica, para que Deus considere favoráveis e propícias estas ofertas. E em terceira e última parte o sacerdote pede o auxílio do Santo Anjo para que a oferenda seja aceita por Deus.



P: Unde et memores Domine, nos servi tui, sed et plebs tua sancta, ejusdem Christi Filii tui Domini nostri tam beatae passionis, nec non et ab inferis resurrectionis, sed et in coelos gloriosae ascensionis: offerimus praeclarae majestati tuae de tuis donis ac datis, hostiam † puram, hostiam † sanctam, hostiam † immaculatam, Panem † sanctum vitae aeternae, et Calicem † salutis perpetuae.


P: Supra quae propitio ac sereno vultu respicere digneris: et accepta habere, sicuti accepta habere dignatus es munera pueri tui justi Abel, et sacrificium patriarchae nostri Abrahae: et quod tibi obtulit summus sacerdos tuus Melchisedech, sanctum sacrificium, immaculatam hostiam.
P: Supplices te rogamus, omnipotens Deus; jube haec perferri per manus sancti Angeli tui in sublime altare tuum, in conspectu divinae majestatis tuae: ut quotquot ex hac altaris participatione, sacrosanctum Filii tui Corpus † et Sanguinem † sumpserimus omni benedictione coelesti et gratia repleamur. Per eumdem Christum Dominum nostrum. Amen.


Segunda Oração:


Trata-se aqui do memento dos mortos, ou seja, uma súplica dirigida a Deus em socorro das almas dos fiéis que padecem no purgatório.


P: Memento etiam, Domine, famulorum famularumque tuarum N. et N. qui nos praecesserunt cum signo fidei, et dormiunt in somno pacis.
P: Ipsis Domine, et omnibus in Christo quiescentibus, locum refrigerii, lucis et pacis, ut indulgeas, deprecamur, per eumdem Christum Dominum nostrum. Amen.


Terceira Oração:


O celebrante pede a Deus por nós pecadores e pelo perdão de nossos pecados e solicita a intercessão dos Santo de Deus, devido a grande santidade e virtude destes.


P: Nobis quoque peccatoribus famulis tuis, de multitudine miserationum tuarum sperantibus, partem aliquam et societatem donare digneris, cum tuis sanctis Apostolis et Martyribus: cum Joanne, Stephano, Matthia, Barnaba, Ignatio, Alexandro, Marcellino, Petro, Felicitate, Perpetua, Agatha, Lucia, Agnete, Caecilia, Anastasia, et omnibus sanctis tuis: intra quorum nos consortium, non aestimator meriti, sed veniae, quaesumus, largitor admitte. Per Christum Dominum nostrum

Conclusão do cânon:

Na primeira parte o celebrante faz uma referência a Nosso Senhor que nos dá a Eucaristia que nos opulenta com as riquezas da salvação. Na sua segunda parte trata-se de uma homenagem a Santíssima Trindade, homenagem prestada por Nosso Senhor Jesus Cristo pregado na Cruz do Calvário.


P: Per quem haec omnia, Domine, semper bona creas, sanctificas † , vivificas † , benedicis † et praestas nobis.
P: Per ipsum † , et cum ipso † , et in ipso † , est tibi Deo Patri † omnipotenti, in unitate Spiritus † Sancti, omnis honor et gloria.
P: Per omnia saecula saeculorum.
R: Amen
Fonte: Doutrina Católica - Manual de instrução religiosa para uso dos Ginásios, Colégios e Catequistas voluntários - Curso Superior - Terceira parte - Meios de Santificação - Liturgia - Livraria Francisco Alves - Editora Paulo de Azevedo Ltda - São Paulo; Rio de Janeiro; e Belo Horizonte - 1927

Cátedra de Pedro em Roma






Como já foi comemorado no dia 18 de janeiro, festejar a cadeira de São Pedro é festejar a Primazia do príncipe dos Apóstolos como cabeça da Igreja Universal. Temos atualmente duas festas da cadeira de São Pedro, ambas com o mesmo objetivo. A de hoje, que é anterior, como geralmente cai durante a quaresma, começou-se muito cedo a celebrar-se também a 18 de janeiro, daí a conservação de duas festas da Cátedra de Pedro no calendário, a primeira (22 de Fevereiro) aplicada a Antioquia e a segunda a Roma (18 de Janeiro). Celebremos pois, com grande alegria a festa da Cátedra de Pedro que tem como finalidade de afirmar a Primazia de Pedro e de seus sucessores. Onde está Pedro está a Igreja de Cristo!


Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

domingo, 17 de fevereiro de 2008

II Domingo da Quaresma: "Este é meu filho muito amado, escutai-o" (Ev)



A estação de hoje reunia-se na igreja de Santa Maria chamada In Dominica, pelo fato de os cristãos ai se congregarem no domingo. Era tradição ter sido nele que São Lourenço distribuía os bens da Igreja aos pobres. Era no Século V paróquia de Roma.


Como nos três domingos da Septuagésima, Sexagésima e Qüinquagésima, são nos 2º, 3º e 4º Domingos da Quaresma lidos textos do Antigo Testamento que formam a trama da composição das missas, de sorte que os séculos passados continuam a preparar-nos para os mistérios da Páscoa. No segundo Domingo da Quaresma, lemos em matinas a história da benção solene do velho Isaac, dada no leito da agonia do seu filho Jacó de preferência ao primogênito Esaú, para se tornar o herdeiro e transmissor das promessas e bênçãos divinas. "Sê o Senhor dos teus irmãos e que as nações se prostrem diante de ti. Todos os povos serão abençoados em ti e no que nascer de ti" (Gênesis).


Os Santos Padres vêem no Patriarca Jacó que suplanta o irmão para ser, em vez dele, o objeto dos favores divinos, uma figura de Cristo, o segundo Adão que se torna, em vez do primeiro, o chefe de uma humanidade regenerada e abençoada de Deus, aquele em que o Pai tem todas as complacências e os povos serão abençoados. Comparando os dois textos, o do Gênesis e o do Evangelho da missa, facilmente podemos ver como concordam e se completam no pormenor mais insignificante. Deus abençoou o seu filho revestido de nossa carne, como Isaac abençoou Jacó revestidos das vestes do irmão Esaú. Santo Agostinho, que olha as peles de cabrito como símbolo do pecado, diz que Jacó, cobrindo com ela as mãos e o pescoço, é imagem de Cristo, que, sendo sem pecado, tomou sobre si os pecados dos outros.


Isto deixa-nos ver como a história de Jacó é figura de Cristo e da Igreja. E lembremo-nos que Jesus Cristo, o Filho de Deus, que o Evangelho de hoje nos apresenta transfigurado no Tabor como sendo o objeto das complacências do pai, solidarizou-se conosco a ponto de se vestir com a "nossa carne" e de se deixar morrer por nós para nos tornar co-herdeiros da sua glória e filhos queridos do Pai Celeste. Em Jesus fomos abençoados por Deus - Nele que é o mais velho, o primogênito de muitos irmãos.


Evangelho de Domingo:


Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus: Naquele tempo:
Seis dias depois, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, seu irmão, e conduziu-os à parte a uma alta montanha.
Lá se transfigurou na presença deles: seu rosto brilhou como o sol, suas vestes tornaram-se resplandecentes de brancura.
E eis que apareceram Moisés e Elias conversando com ele.
Pedro tomou então a palavra e disse-lhe: Senhor, é bom estarmos aqui. Se queres, farei aqui três tendas: uma para ti, uma para Moisés e outra para Elias. Falava ele ainda, quando veio uma nuvem luminosa e os envolveu. E daquela nuvem fez-se ouvir uma voz que dizia: Eis o meu Filho muito amado, em quem pus toda minha afeição; ouvi-o.
Ouvindo esta voz, os discípulos caíram com a face por terra e tiveram medo.
Mas Jesus aproximou-se deles e tocou-os, dizendo: Levantai-vos e não temais.
Eles levantaram os olhos e não viram mais ninguém, senão unicamente Jesus.
E, quando desciam, Jesus lhes fez esta proibição: Não conteis a ninguém o que vistes, até que o Filho do Homem ressuscite dos mortos.


Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

sábado, 16 de fevereiro de 2008

SÁBADO DAS TÊMPORAS DA QUARESMA



A estação de Sábado das Têmporas da Quaresma reunia-se sempre na Basílica edificada por Constantino, e reconstruída pelos Sumo Pontífices dos séculos XVI e XVII, na colina do Vaticano onde São Pedro morreu e repousa. Era nesta Basílica que se faziam as ordenações, precedidas, durante a noite, de doze leituras, das quais nos resta ainda um vestígio na missa de hoje.


Como os Apóstolos que foram escolhidos para assistir no Tabor a Transfiguração de Jesus, os novos presbíteros subirão os degraus do altar para se porem em comunhão com a divindade. São eles agora que nos exortam a escultar e praticar a palavra do Filho de Deus com obras de penitência e caridade. Se nos abstivermos das obras do mal, o nosso corpo e nossa alma conserva-se-á sem mancha para o dia da Páscoa eterna, em que o Senhor nos fará participar a todos da glória da sua transfiguração. Peçamos a Deus que nos fortifique com a sua benção, para que durante esta Quaresma não nos apartemos do cumprimento de sua santa vontade.


Evangelho do dia:


Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus: Naquele tempo:
Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, seu irmão, e conduziu-os à parte a uma alta montanha. Lá se transfigurou na presença deles: seu rosto brilhou como o sol, suas vestes tornaram-se resplandecentes de brancura.
E eis que apareceram Moisés e Elias conversando com ele.
Pedro tomou então a palavra e disse-lhe: Senhor, é bom estarmos aqui. Se queres, farei aqui três tendas: uma para ti, uma para Moisés e outra para Elias. Falava ele ainda, quando veio uma nuvem luminosa e os envolveu. E daquela nuvem fez-se ouvir uma voz que dizia: Eis o meu Filho muito amado, em quem pus toda minha afeição; ouvi-o.
Ouvindo esta voz, os discípulos caíram com a face por terra e tiveram medo.
Mas Jesus aproximou-se deles e tocou-os, dizendo: Levantai-vos e não temais.
Eles levantaram os olhos e não viram mais ninguém, senão unicamente Jesus.
E, quando desciam, Jesus lhes fez esta proibição: Não conteis a ninguém o que vistes, até que o Filho do Homem ressuscite dos mortos.

Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

SEXTA-FEIRA DAS TÊMPORAS DA QUARESMA




A estação de hoje reunia-se para o escrutínio das ordenações na igreja dos Doze Apóstolos, que fica aos pés do Quirinal em Roma. Os futuros sacerdotes e diáconos era assim colocados debaixo da proteção do colégio apostólico. Esta basílica, que é uma das mais antigas de Roma, foi mandada edificar por Júlio I pela ocasião da transladação das relíquias de São Felipe e São Thiago Menor. Dirigindo-se aos penitentes dos primeiros tempos, diz-lhes a Igreja pela boca de Ezequiel que Deus está pronto a perdoar-lhes porque se arrependeram. Como os doentes que se sentavam debaixo do pórtico da piscina, conservam-se também as portas da Igreja até o Grande Sábado, que é a festa da Páscoa, em que Jesus virá curá-los como curou o paralítico do Evangelho. As nossas almas, outrora mergulhadas na piscina resgatadora do batismo e manchadas depois pelo pecado, devem também expiar as faltas que o Senhor lhes perdoará por meio dos sacerdotes no tribunal da penitência. Não tenho homem que me ponha no tanque - dizia o paralítico do Evangelho, e tinha razão. Nós porém não podemos alegar esta desculpa; e se permanecemos paralíticos, é porque não queremos recorrer ao ministério sacerdotal que foi instituído para nos socorrer.



Evangelho do dia:



Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João: Naquele tempo:
Depois disso, houve uma festa dos judeus, e Jesus subiu a Jerusalém.
Há em Jerusalém, junto à porta das Ovelhas, um tanque, chamado em hebraico Betesda, que tem cinco pórticos.
Nestes pórticos jazia um grande número de enfermos, de cegos, de coxos e de paralíticos, que esperavam o movimento da água.
[Pois de tempos em tempos um anjo do Senhor descia ao tanque e a água se punha em movimento. E o primeiro que entrasse no tanque, depois da agitação da água, ficava curado de qualquer doença que tivesse.]
Estava ali um homem enfermo havia trinta e oito anos.
Vendo-o deitado e sabendo que já havia muito tempo que estava enfermo, perguntou-lhe Jesus: Queres ficar curado?
O enfermo respondeu-lhe: Senhor, não tenho ninguém que me ponha no tanque, quando a água é agitada; enquanto vou, já outro desceu antes de mim.
Ordenou-lhe Jesus: Levanta-te, toma o teu leito e anda.
No mesmo instante, aquele homem ficou curado, tomou o seu leito e foi andando. Ora, aquele dia era sábado.
E os judeus diziam ao homem curado: E sábado, não te é permitido carregar o teu leito.
Respondeu-lhes ele: Aquele que me curou disse: Toma o teu leito e anda.
Perguntaram-lhe eles: Quem é o homem que te disse: Toma o teu leito e anda?
O que havia sido curado, porém, não sabia quem era, porque Jesus se havia retirado da multidão que estava naquele lugar.
Mais tarde, Jesus o achou no templo e lhe disse: Eis que ficaste são; já não peques, para não te acontecer coisa pior.
Aquele homem foi então contar aos judeus que fora Jesus quem o havia curado.



Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

Teologia Ascética e Mística: Da parte de Deus na vida Cristã (Parte III)





Deus dar-se-nos também a título de amigo. A amizade acrescenta nas relações de Pai e filho uma certa igualdade, uma certa intimidade, uma reciprocidade que implica as mais doces comunicações. Ora são precisamente relações deste gênero que a graça estabelece entre Deus e nós. É evidente que, tratando-se de Deus e do homem, não é possível falar de igualdade verdadeira, senão de uma certa semelhança que basta a estabelecer uma certa intimidade. E com efeito, Deus confia-nos os seus segredos; fala-nos não somente pela sua Igreja, senão também de um certo modo interior, pelo Espírito Santo: "Mas o Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ensinar-vos-á todas as coisas e vos recordará tudo o que vos tenho dito"(Jo 14, 26). E assim na última ceia, declara Jesus a seus apóstolos que daí em diante já não os chamará de servos, senão amigos pois não terá mais segredos entre eles: "Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz seu senhor. Mas chamei-vos amigos, pois vos dei a conhecer tudo quanto ouvi de meu Pai"(Jo 15, 15). Será, pois, uma doce familiaridade que presidirá desde esse momento às suas relações, essa familiaridade que existe entre amigos, quando se sentam, face a face, à mesa dum banquete: "Eis que estou à porta e bato: se alguém ouvir a minha voz e me abrir a porta, entrarei em sua casa e cearemos, eu com ele e ele comigo"(Apo 3, 20). Admirável intimidade que não houvéramos jamais ousado ambicionar, se o amigo divino se não tivesse antecipado. E contudo esta intimidade tem-se realizado e realiza-se ainda cada dia, não somente nos santos, mas também nas almas interiores que consentem em abrir a porta de sua alma ao hóspede divino. É o que nos atesta o autor da imitação, quando descreve as freqüentes visitas do Espírito Santo às almas interiores, os doces colóquios que entretém com elas, as consolações e as carícias de que as cumula, a paz que nelas faz reinar, a assombrosa familiaridade com que as trata: "O reino de Deus está dentro de vós, disse o Senhor. Deixa este mundo miserável e tua alma encontrará descanso"(Imitação de Cristo l. II, c. 1, n. 1). Demais a vida dos místicos contemporâneos, tais como Santa Tereza do Menino Jesus, Soror Isabel da Trindade, Santa Gema Galgani e tantos outros, mostra-nos que estas palavras da imitação se realizam todos os dias. É, pois, verdade pura que Deus vive em nós como um amigo íntimo.






Mas não fica em nós ociosos, opera em nossa alma como o mais poderoso dos colaboradores. Como sabe perfeitamente que de nós mesmos não podemos cultivar esta vida sobrenatural em nós depositada, supre a nossa impotência, colaborando conosco pela graça atual. Necessitamos de luz, para perceber as verdades da fé, que doravante nos guiarão os nossos passos? É ele o pai da luzes, que nos virá iluminar a inteligência acerca do nosso último fim e dos meios para o alcançar; é Ele o Pai das luzes, que nos virá iluminar a nossa inteligência acerca do nosso último fim e dos meios para o alcançar; é Ele que nos sugerirá bons pensamentos inspiradores de boas ações. Precisamos de força para querer sinceramente orientar a vida para o nosso fim, para o querer enérgica e constantemente? É Ele que nos dará este concurso sobrenatural que nos permite formar e cumprir as nossas resoluções, "Porque é Deus quem, segundo o seu beneplácito, realiza em vós o querer e o executar"(Filipen 2, 13). Se trata de combater e disciplinar as nossas paixões, de vencer as tentações que por vezes nos importunam, é Ele ainda que nos dará forças de lhes resistir e tirar delas partido para nos fortalecermos na virtude: "Não vos sobreveio tentação alguma que ultrapassasse as forças humanas. Deus é fiel: não permitirá que sejais tentados além das vossas forças, mas com a tentação ele vos dará os meios de suportá-la e sairdes dela"(1Cor 10, 13). Quando fatigados de praticar o bem, nos sentirmos tentados ao desalento e aos desfalecimentos, Ele se aproximará de nós, para nos sustentar e assegurar a perseverança: "Estou persuadido de que aquele que iniciou em vós esta obra excelente lhe dará o acabamento até o dia de Jesus Cristo"(Filipens 1, 6). Numa palavra, jamais estaremos sós, ainda quando, privados de consolação, nos julgarmos desamparados: a graça de Deus estará sempre conosco, contanto que consintamos em trabalhar com ela: "Mas, pela graça de Deus, sou o que sou, e a graça que ele me deu não tem sido inútil. Ao contrário, tenho trabalhado mais do que todos eles; não eu, mas a graça de Deus que está comigo"(1Cor 15, 10). Apoiados neste poderoso colaborador, seremos invencíveis, pois que tudo podemos naquele que nos conforta: "Tudo posso naquele que me conforta"(Filipen 4, 13).





Este colaborador é ao mesmo tempo santificador: vindo habitar a nossa alma, transforma-a num templo santo, ornados de todas as virtudes: "Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá. Porque o templo de Deus é sagrado - e isto sois vós"(1Cor 3, 17). O Deus que vem a nós pela graça, não é, efetivamente, o Deus da natureza, senão o Deus vivo, a Santíssima Trindade, fonte infinita de vida divina, que nada mais ardentemente deseja que fazer-nos participar da sua santidade. Esta habitação atribui-se muitas vezes ao Espírito Santo, por apropriação, por ser obra de amor; mas, como é uma obra ad extra, é comum às três pessoas divinas. Eis o motivo pelo qual São Paulo nos chama indiferentemente Templos de Deus e Templos do Espírito Santo: "Não sabeis que sois o templo de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós?"(1Cor 3, 16).







A nossa alma torna-se, pois templo de Deus vivo, recinto sagrado, reservado a Deus, trono de misericórdia onde ele se compraz em distribuir os seus favores celestes, e que adorna de todas as virtudes. Logo descrevemos o organismo sobrenatural de que nos dota. Mas é evidente de que a presença em nós do Deus três vezes Santo, tal como acabamos de esboçar, não pode deixar de ser santificadora, e que a adorável Trindade, vivendo e operando em nós, é sem dúvida o princípio da nossa santificação, a fonte da nossa vida interior. E é adoção, devemos imitar o nosso Pai. Isto melhor se compreenderá, estudando como nós devemos portar para com as três divinas pessoas que habitam em nós.






(Fonte: Compêndio de Teologia Ascética e Mística - Ed. Apostolado da Imprensa - 1961 - 6ª edição)















quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

QUARTA-FEIRA DAS TÊMPORAS DA QUARESMA



As têmporas da Primavera (Outono - Hemisfério Sul) coincidem com a primeira semana da Quaresma. Foram instituídas para consagrar a Deus a nova estação e atrair as graças do céu para aqueles que vão receber no sábado o sacramento da Ordem. A estação da Quarta-feira de Têmporas reuniu sempre na Santa Maria maior, a maior e mais bela igreja consagrada a Nossa Senhora em Roma. De fato convinha que a assembléia cristã reunisse, neste dia em que se procede ao escrutínio para as ordenações, num templo daquela que Proclo de Constantinopla saúda: "templo santíssimo em que Deus se fez sacerdote". As duas leituras que substituem a Epístola falam-nos de Moisés e de Elias, do legislador e do profeta que, antes de serem admitidos à presença de Deus na montanha santa, deveriam purificar-se pelo jejum e desfazer-se das coisas da Terra para ficarem mais livres para as coisas de Deus. No evangelho o Senhor fala-nos da sua ressurreição figurada no profeta Jonas. Preparemo-nos com jejuns e boas obras para a festa da ressurreição que nos há de aproximar mais de Deus.


Evangelho do dia:
Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus: Naquele tempo:
Então alguns escribas e fariseus tomaram a palavra: Mestre, quiséramos ver-te fazer um milagre.
Respondeu-lhes Jesus: Esta geração adúltera e perversa pede um sinal, mas não lhe será dado outro sinal do que aquele do profeta Jonas:
do mesmo modo que Jonas esteve três dias e três noites no ventre do peixe, assim o Filho do Homem ficará três dias e três noites no seio da terra.
No dia do juízo, os ninivitas se levantarão com esta raça e a condenarão, porque fizeram penitência à voz de Jonas. Ora, aqui está quem é mais do que Jonas.
No dia do juízo, a rainha do Sul se levantará com esta raça e a condenará, porque veio das extremidades da terra para ouvir a sabedoria de Salomão. Ora, aqui está quem é mais do que Salomão.
Quando o espírito impuro sai de um homem, ei-lo errante por lugares áridos à procura de um repouso que não acha.
Diz ele, então: Voltarei para a casa donde saí. E, voltando, encontra-a vazia, limpa e enfeitada.
Vai, então, buscar sete outros espíritos piores que ele, e entram nessa casa e se estabelecem aí; e o último estado daquele homem torna-se pior que o primeiro. Tal será a sorte desta geração perversa.
Jesus falava ainda à multidão, quando veio sua mãe e seus irmãos e esperavam do lado de fora a ocasião de lhe falar.
Disse-lhe alguém: Tua mãe e teus irmãos estão aí fora, e querem falar-te.
Jesus respondeu-lhe: Quem é minha mãe e quem são meus irmãos?
E, apontando com a mão para os seus discípulos, acrescentou: Eis aqui minha mãe e meus irmãos.
Todo aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe.


Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

Catecismo Online: "Subiu aos céus e está sentado a direita de Deus Pai Todo-Poderoso." (Parte II)




Para mostrar mais amplamente o sentido deste artigo, devemos estudar a história de Ascensão, conforme descreveu com admirável precisão o evangelista São Lucas, nos Atos dos Apóstolos (Atos 1, 1-11).


Na explicação, será preciso antes de tudo observar que todos os outros mistérios se referem a Ascensão como a um ponto final, que resume a perfeição e a consumação de todos.



Com efeito, assim como pela Encarnação do Senhor começam todos os mistérios de nossa religião, assim também pela Ascensão termina a sua peregrinação neste mundo.



Os demais artigos do credo, relativos a Cristo Nosso Senhor, dão a conhecer sua extrema humildade e aviltação; pois nada se pode conceber de mais baixo e aviltante que o filho de Deus se revista, por nossos amor, na natureza humana e fragilidade, e queira sujeitar-se ao sofrimento e a morte.



Ora, como no artigo anterior confessamos que ressuscitou dos mortos; e no presente que subiu aos Céus, e está sentado a direita de Deus Pai, não existe expressão mais sublime e grandiosa, para nos dar uma idéia de sua glória suprema e divina majestade.



Depois desta exposição, é preciso explicar bem as razões porque Cristo subiu aos Céus. Antes de tudo, subiu aos céus, porque a seu corpo, dotado de glória imortal desde a ressurreição, já não lhe convinha esta obscura morada da Terra, mas antes a elevada e esplendorosa mansão dos céus.



E não foi só para tomar posse do trono de glória e poder, merecido a custo de sangue; mas também para diligenciar tudo o que concerne à nossa salvação.



Além disso, foi para provar que realmente que "seu reino não é deste mundo" (Jo 18, 36). Os reinos do mundo são terrenos e passageiros, apóiam-se e grandes cabedais e na força da carne. Ora, o reino de Cristo não era terrestre, como os judeus esperavam, mas espiritual e eterno. Colocando seu trono nos céus, demonstrou que as forças e as riquezas de seu reino eram de natureza espiritual.



Neste reino, os mais ricos e os mais providos com a abundância de todos os bens são aqueles que procuram com maior ardor as coisas de Deus. Santiago, com efeito declara que Deus escolheu os pobres deste mundo, para serem ricos na fé, e herdeiros do Reino que Deus prometeu aqueles que o amam" (Tiago 2, 5).



Pela Ascensão, Nosso Senhor queria também que, subindo ele aos céus, continuássemos a segui-lo com saudosos pensamentos. Com efeito, pela sua morte e ressurreição, deixou-nos um exemplo que nos mostra como se deve morrer e ressurgir espiritualmente. Pela sua Ascensão também nos ensina a educar a erguer-nos nossas mentes aos céus, enquanto vivemos na terra; a reconhecermos que, na terra somos hóspedes e peregrinos em demanda da pátria, concidadãos dos santos e membros das família de Deus (Efe 2, 19), pois como diz o mesmo Apóstolo: "Nosso viver é no céu" (Filip 3, 20).



A eficácia e a grandeza destes inefáveis benefícios que a bondade de Deus derramou sobre nós, desde muito as havia vaticinado o santo profeta Davi: "Subindo ao alto, arrebatou como presas os escravos, e distribuiu os dons aos homens" (Sal 67, 19). Neste sentido interpreta o Apóstolo a presente passagem (Efe 4, 8).



Efetivamente, ao cabo de dez dias, enviou ele o Espírito Santo, de cuja virtude e exuberância encheu a multidão de fiéis que ali estavam. Então cumpriu verdadeiramente aquela grandiosa promessa: "Para vós convém que eu me vá. Se eu não for, não virá a vós o Consolador; mas se eu for, eu vo-lo enviarei" (João 16, 7).



(Fonte: Catecismo da Igreja Católica - 1962 - Ed. Vozes)

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Liturgia: Missa: Terceira parte, Oblação




A terceira parte da missa é o início do sacrifício propriamente dito. Abrange: 1º a oblação, 2º o complemento da oblação.



Oblação ou Ofertório: Depois de ter se dirigido ao povo com a saudação (Dominus vobiscum), o padre diz: Oremus, Rezemus. No entanto "ninguém atende ao convite. Não se reza. Nenhuma fórmula de preces dão os livros, nem rubrica alguma, que dê a entender a existência de uma oração que se fizesse em particular, secretamente. É um hiato, uma "suspensão", e concordam os liturgistas em pensar que, outrora, tendo caído os catecúmenos, os fiéis, aconselhados pelo celebrante, entravam a orar silenciosamente, e depois, em prece solene, o padre expressava os votos de todos como fizera na coleta.




Depois disso o padre lê e o coro canta a antífona chamada ofertório. Era neste momento que outrora, cada assistente trazia a oferta com que haveria de contribuir para o sacrifício. "Ofertavam o pão e o vinho para servirem no holocausto e ser distribuídos aos fiéis pela comunhão. Mas apresentavam-se, juntamente, outros dons a favor dos pobres, das viúvas, do clero e das diferentes obras da Igreja. Por onde se vê que as ofertas de hoje, nesta altura da missa, não são apenas simples demonstração caridosas ou uma esmola qualquer. Assumem, por suas raízes na antiguidade, caráter quase sagrado: são o oferecimento que se faz em vista do sacrifício e pelo qual os fiéis participam do ato sublime que se passa no altar. O mesmo se dirá das espórtulas da missa, a respeito das quais houve tantas recriminações farisaicas e descabidas.




Enquanto os fiéis iam passando ao pé do altar trazendo a sua oferta, cantava-se um salmo. Pelo século XI, com a suspensão das ofertas, desapareceu o salmo. Só ficou, com lembrança, a antífona chamada ofertório.



Pão bento - terminadas as oblações dos fiéis, os diáconos separavam nas patenas os pães que tinham de ser consagrados e deitavam nos cálices a quantidade de vinho necessária para a comunhão. O resto ficava à parte, para receber uma benção e ser distribuído aos que não comungassem. Era destas forma que estes últimos se uniam a Santíssima Eucaristia. Os pães benzidos mas que não eram consagrados, eram chamados de "eulógias", vocábulo grego que significa benção. Antes de os comer, era preciso fazer o sinal da cruz. Em certos lugares, há vestígios deste uso, na distribuição do pão bento, feita na missa dominical.



Nos sacrifícios antigos, sempre se oferecia a Deus uma vítima, antes que fosse imolada. Ao sacrifício da missa, também convinha oblação igual. Por isso, tendo lido a antífona do Ofertório, o padre supõe, antecipado, que a vítima está presente no altar e oferece o pão como se estivesse mudado no corpo de Nosso Senhor. E trata-o, portanto de "Hóstia sem mácula" aludindo as vítimas do antigo testamento, que só serviam, nos sacrifícios se fossem imaculadas. Eis as palavras que acompanham a oblação:



P: Suscipe sancte Pater omnipotens aeterne Deus, hanc immaculatam hostiam, quam ego indignus famulus tuus offero tibi Deo meo vivo et vero, pro innumerabilibus peccatis et offensionibus et negligentiis meis, et pro omnibus circumstantibus, sed et pro omnibus fidelibus Christianis vivis atque defunctis: ut mihi et illis proficiat ad salutem in vitam aeternam. Amen.



Ao depositar no corporal a hóstia, o celebrante traça, com a patena em que ela descansa, o sinal da cruz. Quer dizer, com isso, que a vítima do Sacrifício da Missa é a mesma que a da cruz.



Consta-se de dois atos a oblação do vinho: 1 - A mistura da água com o vinho e 2 - A oblação do cálice.



Mistura da água com o vinho - O celebrante, ou nas missas solenes o diácono, derrama vinho no cálice, e o subdiácono, por sua vez, deita no mesmo algumas gotas de água que o padre benze enquanto vai rezando:



P: Deus, qui humanae substantiae dignitatem mirabiliter condidisti, et mirabilius reformasti: da nobis per hujus aquae et vini mysterium, ejus divinitatis esse consortes, qui humanitatis nostrae fieri dignatus est particeps, Jesus Christus, Filius tuus, Dominus noster: Qui tecum vivit et regnat in unitate Spiritus Sancti, Deus; per omnia saecula saeculorum. Amen.



Oblação do Cálice: O celebrante, de olhos voltados para o crucifixo, ergue então o cálice, para ofertar ao Senhor. Ao mesmo tempo, diz esta oração:



P: Offerimus tibi Domine, calicem salutaris, tuam deprecantes clementiam: ut in conspectu divinae majestatis tuae, pro nostra et totius mundi salute cum odore suavitatis ascendat. Amen.



Assim como antes o padre tratou o pão de "hóstia sem mácula", também trata o vinho de "cálice da salvação" antevendo o Sangue de Cristo que vai aparecer pela transubstanciação. Terminada a prece, o sacerdote depõe o cálice, traçando com ele um sinal da cruz, como fez com a patena na oblação do pão.




Outras orações completam a oblação do cálice e do vinho:




A oblação dos fiéis: P: In spiritu humilitatis, et in animo contrito suscipiamur a te Domine: et sic fiat sacrificium nostrum in conspectu tuo hodie, ut placeat tibi Domine Deus.




A Oração do Espírito Santo: P: Veni sanctificator omnipotens aeterne Deus, et + benedic hoc sacrificium tuo sancto nomini praeparatum.



A Incensação - A rubrica das missas solenes prescreve aqui nova incensação. O celebrante benze o incenso, enquanto diz: Per intercessionem beati Michaelis Archangeli stantis a dextris altaris incensi et ominium electórum suorum, incensum istud dignetur Dóminus benedicere, et in odorem suavitatis accipere. Per Christum Dominum nostrum. Amem.



O Lavabo: Dirige-se o padre ao lado do altar a lavar as mãos. Duas razões podem apontar o motivo desta cerimônia: a) razão mística: Nunca seria demasiada a pureza do ministro do sacrifício da missa, para tocar na divina Vítima. Era este mesmo costume entre os sacerdotes judeus: antes de se chegarem ao altar, purificavam as mãos como símbolo da inocência. - b) Razão Natural: Era necessário que o padre lavasse as mãos porque já não estavam limpas, desde que, antes de despir os catecúmenos e os penitentes, lhes tinha imposto as mãos na cabeça. Deve acompanhar esta ablução a recitação dos seguintes versículos do Salmo XXV:



P: Lavabo inter innocentes manus meas: et circumdabo altare tuum Domine. Ut audiam vocem laudis: et enarrem universa mirabilia tua. Domine dilexi decorem domus tuae, et locum habitationis gloriae tuae. Ne perdas cum impiis Deus animam meam: et cum viris sanguinum vitam meam. In quorum manibus iniquitates sunt: dextera eorum repleta est muneribus. Ego autem in innocentia mea ingressus sum: redime me, et miserere mei. Pes meus stetit in directo: in ecclesiis benedicam te Domine. Gloria Patri et Filio, et Spiritui Sancto. Sicut erat in principio, et nunc, et semper, et in saecula saeculorum. Amen.



O sacerdote voltando-se para o meio do altar, inclina-se profundamente e roga a Santíssima Trindade que aceite favorávelmente o sacrifício adorável a ela oferecido, para a glória dos santos e salvação dos fiéis.



P: Suscipe sancta Trinitas hanc oblationem, quam tibi offerimus ob memoriam passionis resurrectionis et ascensionis Jesu Christi Domini nostri: et in honorem beatae Mariae semper virginis, et beati Joannis Baptistae, et sanctorum Apostolorum Petri et Pauli, et istorum, et omnium Sanctorum: ut illis proficiat ad honorem, nobis autem ad salutem: et illi pro nobis intercedere dignentur in coelis, quorum memoriam agimus in terris. Per eumdem Christum Dominum nostrum. Amen.



Orate Frates: Antes de entrar em recolhimento mais profundo, pela última vez até depois da Consagração, o sacerdote volta-se para os fiéis e dirige-lhes as seguintes palavras, convidados a orar:



P: Orate, fratres, ut meum ac vestrum sacrificium acceptabile fiat apud Deum Patrem omnipotentem.R: Suscipiat Dominus sacrificium de manibus tuis ad laudem et gloriam nominis sui, ad utilitatem quoque nostram, totiusque Ecclesiae suae sanctae.



Secreta: O celebrante responde "amem", e reza a oração conhecida antigamente como "Oratio super oblata", prece sobre as ofertas. Se chama secreta devido ser uma oração em que o padre faz uma solicitação do bem comum em voz baixa, diferenciando da coleta.



Tantis, Domine, repleti muneribus: praesta, quaesumus; ut et salutaria dona capiamus, et a tua numquam laude cessemus. Per Dominum nostrum Jesum Christum Filium tuum, qui tecum vivit et regnat in unitate Spiritus Sancti Deus, ...per omnia saecula saeculorum. R. Amen.