sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Teologia Ascética e Mística: Como proceder na tentação

Para triunfar nas tentações e fazê-las servir ao bem espiritual da nossa alma, três coisas principais se devem observar: 1º prevenir a tentação; 2º Combate-la vigorosamente; 3º agradecer a Deus depois da vitória, ou levantar-se depois da queda.


1º Prevenir a Tentação - Conhecemos o provérbio: Mais vale prevenir do que remediar; é o que aconselha a sabedoria cristã. Quando Cristo Nosso Senhor conduziu os três Apóstolos ao Jardim das Oliveiras, disse-lhes: "Vigiai e orai, para não cairdes em tentação: vigilate et orate ut non intretis in tentationem" (Mt 24, 41). Vigilância e oração eis os dois grandes meios de prevenir a tentação.


Vigiar é estar de atalaia em torno da própria alma, para não se deixar colher de sobressalto. E é tão fácil sucumbir num momento de surpresa! Esta vigilância implica duas disposições principais: desconfiar de si mesmo e confiar em Deus.


É, pois, necessário evitar a presunção orgulhosa que nos lança para o meio dos perigos, a pretexto de que somos assaz fortes para deles triunfar. Foi o pecado de São Pedro que, no momento em que Jesus predizia da fuga dos Apóstolos, exclamava: "Ainda quando para todos uma ocasião de queda, para mim nunca o sereis" (Mc. 14, 29). Reflitamos pelo contrário, que aquele que julga estar de pé deve ter cuidado, para não cair, porque, se espírito está pronto, a carne é fraca, e segurança não se encontra senão na desconfiança humilde da própria fraqueza.


A vigilância é preciso ajuntar a oração, que, colocando a Deus do nosso lado, nos torna invencíveis. Afinal, Deus acha-se interessado em nossa vitória, porque é a ele que o Demônio quer atingir em nossa pessoa, é a sua obra que ele quer destruir em nós; podemos invocá-lo com santa confiança, seguros de que ele nada mais deseja do que nos socorrer. Contra a tentação é boa toda a oração: vocal ou mental, privada ou pública, sob forma de adoração ou de petição. É bom, sobretudo nas horas de paz, orar para o tempo da tentação. No momento em que esta se apresenta, não há mais então elevar rapidamente o coração a Deus, para resistirmos com mais vigor.


2º Resistir à tentação - Esta resistência será diversas conforme a natureza das tentações. Há umas que são freqüentes, mas poucos graves: para essas a melhor tática é o desprezo, como tão bem explica São Francisco de Sales: "Quanto a essas pequenas tentações de vaidade, suspeitas, tristezas, ciúme, inveja, e outras semelhantes a ninharias, que, como moscas e mosquitos, nos andam passando diante dos olhos, e umas vezes nos picam na face, outra no nariz... a melhor resistência que podemos fazer é não nos afligirmos: porque nada disto nos pode causar dano, ainda que nos pode enfadar, contanto que tenhamos firmes resoluções de querer servir a Deus. Desprezai, pois, estes pequenos assaltos e não vos ponhais nem sequer a considerar o que querem dizer; deixai-os unir à roda dos ouvidos, quando quiserem.. como se faz com as moscas".


Prontamente, sem discutir com o inimigo, sem hesitação alguma: ao princípio, como a tentação não firmou ainda o pé solidamente em nossa alma, é bastante fácil rechaçá-la; se esperarmos que lance raízes na alma será muito mais difícil. Energicamente, não com moleza e como de má vontade, o que parecia convidar a tentação a voltar; mas com força e vigor, testemunhando o horror que tal proposição nos causa. "Arreda, Satanás, afasta-te Satanás". É, porém, diversas as táticas que se deve empregar segundo o gênero de tentações. Se se trata de prazeres atraentes, é necessário afastar-se e fugir, aplicando fortemente a atenção a um assunto diferente, que nos possa absolver o espírito; a resistência direta não faria nada senão aumentar o perigo. Se a tentação é repugnância em cumprir o próprio dever, antipatia, ódio, respeito humano, o melhor é muitas das vezes afrontar a tentação, considerar francamente a dificuldade, de rosto, e apelar para os princípios da fé, para dela triunfar.


Com constância é que as vezes a tentação, vencida por um instante, volta com novo furor, e o demônio reconduz do deserto sete espíritos piores do que ele. E, com humildade, é ela, efetivamente, que atrai a graça, e a graça é que nos dá a vitória. O demônio, que pecou por orgulho, foge diante dum ato sincero de humildade, e a tríplice concupiscência, que tira a sua força da soberba, é facilmente vencida, quando, por assim dizer, a decapitamos pela humildade.


3º Após a tentação - É necessário evitar minucioso exame sobre se consentimos ou não: esta imprudência poderia fazer voltar a tentação e criar novamente o perigo. E depois, é muito fácil ver, pelo testemunho da consciência, sem profundo exame, se ficamos vitoriosos.


Se tivermos a felicidade de triunfar, demos graças a Deus de todo o coração, já que ele é o autor da vitória. Trata-se de um dever de gratidão e o melhor meio de obter novas mercês em tempos oportunos. Como nota com razão disse Santo Agostinho, os que assim se deixam levar, tornam-se mais humildes com as quedas, mais prudentes e mais fervorosos.


(fonte: Compêndio de Teologia Ascética e Mística - Ed. Apostolado da Imprensa - 1961)

2 comentários:

Anônimo disse...

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Ir. Pedro da Encarnação de Cristo disse...

O autor da mensagem poderia, por favor, retornar e informar o intuito da mensagem, pois, não tenho noção do que foi sugerido.
Obrigado.