segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Liturgia: Oratórios e Padroeiros

Oratórios são edifícios religiosos construídos para o serviço da comunidade, de uma família ou de uma pessoa. Podem ser: - a)Públicos, quando destinados ao culto público; - b)Particulares, quando eretos em casas particulares, para uma família ou indivíduo; - c) semi-públicos, quando, não sendo aproveitado por todos os fiéis indistintamente, nem simplismente por uma família ou um indivíduo, servem a uma comunidade ou reunião de pessoas. Neste caso, temos os oratórios dos seminários, colégios, e hospitais, orfanatos, prisões, etc.


Não é permitido construir uma igreja ou oratório público, sem autorização expressa e escrita do Ordinário da localidade a ser erguido. Concedida esta licença, vem o Bispo ou o seu representante tomar posse dos terrenos, em nome de Nosso Senhor. Ali ergue-se a cruz e benze a primeira pedra.



De acordo com as prescrições apostólicas do século IV, a nave da Igreja deve ser direcionada para o Oriente, de modo que os fiéis estivessem voltados a adorar Nosso Senhor Jesus Cristo. Esta orientação deixou de ser regra absoluta e não se observa universalmente.



Igrejas e oratórios não podem servir ao exercício do culto, sem terem sido previamente consagrados e benzidos. Consagração ou benção de uma igreja vem a ser, portanto, o rito pelo qual o edifício é separado das coisas profanas e entregue ao culto divino.



O uso de consagrar as igrejas remonta os primeiros séculos. Tamanha importância reveste o ato, aos olhos do clero e dos fiéis, que este tem obrigação de celebrar sempre o aniversário. Ao Ordinário do lugar é que incumbe a função de consagrar. Emprega para este fim o santo Crisma e o Óleo dos catecúmenos. Nas paredes, pinta-se doze cruzes representando os doze apóstolos, que são as doze colunas da Igreja. Consagram-se apenas, geralmente as igrejas importantes. Pode-se benzer uma igreja construída com madeira, ferro ou outro metal, mas não pode ser consagrada. Aos oratórios públicos aplicam-se as mesmas regras das igrejas. Os oratórios particulares não podem receber a consagração nem a benção que as Igrejas recebem.



Qualquer igreja, para receber a consagração ou a benção, deve ter um título. Impõe-se que na ocasião do lançamento da primeira pedra, quer no dia das cerimônias de consagração ou da benção.



Título, pois, vem a ser o mistério (ex: Santíssima Trindade) ou santo (ex: São Geraldo) cujo o nome foi posto à igreja quando se consagrou e benzeu, e serve para distingui-la das outras. Quando é nome de algum santo usa-se muito o nome de padroeiro.



Padroeiro é uma criatura - anjo ou santo -sob cuja égide ou patrocínio se coloca uma região, freguesia, comunidade, sodalício. Assim é que o padroeiro protege o lugar, enquanto o orago protege a igreja.



Como se vê, o título pode ser algum mistério. Quanto ao padroeiro, é sempre um anjo ou santo. Entretanto, não raro confundem-se estas designações. Na próxima semana, iremos iniciar um estudo sobre as alfaias da Igreja.

domingo, 9 de setembro de 2007

15º Domingo Depois de Pentecostes: "Jovem, eu te ordeno, levanta-te!" (Ev.)


A Epístola é uma exortação freqüente e ansiosa para que andemos nos caminhos do Senhor e assim sejamos fiéis às aspirações do espírito. Se vivemos no espírito, andemos também em conformidade com ele, quer dizer, sejamos mais humildes, mais pacientes, tenhamos mais caridade com os que saem do caminho da justiça e pensemos que somos fracos também e que havemos de prestar apertadas contas dos nossos pecados a não dos pecados alheios.

O Evangelho, segundo a interpretação unânime dos padres, é um símbolo admirável da Igreja, deplorando os seus filhos que vivem em pecado mortal e pedindo aquele que veio a Terra para perdoar que se compadeça deles e os ressuscite.

Evangelho de Domingo:

Continuação do Santo Evangelho segundo São Lucas: Naquele tempo: Ia Jesus para uma cidade, chamada Naim; e iam com ele seus discípulo e uma multidão. E, quando chegou perto da porta da cidade, eis que era levado um defunto a sepultar, filho único de sua mãe; e esta era viúva; e ia com ela muita gente da cidade. E, tendo-a visto o Senhor, movido de compaixão para com ela, disse: Não chores. E aproximou-se e tocou o esquife. E os que levavam pararam. Então disse Ele: Jovem, Eu te ordeno, levanta-te. E sentou-se o que estava morto, e começou a falar. E Jesus o entregou a sua mãe. E todos ficaram possuídos de temor, e glorificando a Deus, dizendo: Um grande profeta apareceu entre nós, e Deus visitou o seu povo.

Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

sábado, 8 de setembro de 2007

8 de Setembro: Natividade de Nossa Senhora

Esta festa, mais antiga no Oriente, introduziu-se provavelmente na liturgia romana durante o século VII. Inocêncio IV deu-lhe Oitava no Concilio de Lião, em 1245. Na última centúria, serviu esta data de 8 de Setembro para fixar nove meses antes, a 8 de Dezembro, a festa da Imaculada Conceição. A Santa Igreja, celebrando a natividade da Santíssima Virgem, canta a aurora da redenção, que despontou com o aparecimento de Maria no mundo. Eva deu à luz a seus filhos na dor, Maria dá à luz o filho de Deus com júbilo. Eva levava consigo as nossas lágrimas, Marai a nossas alegrias. Invoquemos a Virgem a Virgem Santíssima com aquela invocação tão bela da sua ladainha: "Causa de nossa alegria".

Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Teologia Ascética e Mística: A psicologia das tentações

A freqüência e violência das tentações variam do extremo: há almas que são amiudadas e violentamente tentadas; outras há que o são apenas raras vezes e sem sentirem profundamente abaladas. Muitas são as causas que explicam esta diversidade.


A). Em primeiro lugar, o temperamento e o carácter: há pessoas extremamente apaixonadas ao mesmo tempo fracas de vontade, freqüêntemente acometidas e perturbadas pelas tentações; outras, bem equilibradas e enérgicas, que não são tentadas senão raramente e conservam a serenidade no meio da tentação.


B). A educação original e outras diferenças: há almas educadas no amor e temor a Deus, no cumprimento habitual do dever austero, que não receberam quase senão bons exemplos; outras, pelo contrário, foram educadas no amor do prazer e no horror de qualquer sofrimento, e não viram quase senão exemplos de vida mundana e sensual. E evidente que as segundas serão mais violentadas pelas tentações.


C). É necessário ter em conta os desígnios da providência divina: há almas que Deus chama a um alto grau de santidade que preserva de toda a mácula com o mais desvelado carinho; outras que distina também a perfeição, mas que quer fazer passar por árduas provações, afim de as robustecer nas virtudes; outras, que enfim, Deus não chama a estado tão elevado e que serão mais freqüentes tentadas, se bem que nunca acima de suas forças.

Conforme a doutrina tradicional, exposta já por Santo Agostinho, há três fases na tentação: a sugestão, a deleitação e o consentimento.


A Sugestão consiste na proposição de algum mal: a imaginação ou o espírito representa-nos, mais ou menos vivamente, os encantos do fruto proibido; às vezes esta representação é sobremaneira sedutora, impõe-se como tenacidade e torna-se uma espécie de obsessão. Por mais que perigosa seja esta sugestão., não é pecado, contanto que se não haja provocado ou se nela não se consista livremente; não há falta senão quando a vontade lhe dá consentimento.


A sugestão junta-se a deleitação: instintivamente, sente-se inclinada a parte inferior da alma para o mal sugerido, experimentando um certo prazer. "Sucede muitas vezes, diz São Francisco de Sales, que a parte inferior se deleita na tentação sem o consentimento, antes contra a vontade da superior. É esta a guerra que o apóstolo São Paulo se refere quando diz que sua carne tem apetites contra o espírito". Esta deleitação da parte inferior, enquanto a vontade não consente, não é falta; mas é um perigo, porque a vontade se encontra assim solicitada a dar sua adesão. Propõe-se então a alternativa: vai a vontade consentir, sim ou não?


Se a vontade recusa o assentimento, se combate e repele a tentação, fica vitoriosa e faz um ato sobremaneira meritório. Se, pelo contrário, se compraz na deleitação, se nela se goza voluntariamente, se consente nela, está cometido o pecado interior.


Tudo depende, pois, do livre consentimento da vontade; e é por isso que, para maior clareza, vamos indicar os sinais claro por onde se pode reconhecer se houver consentimento e em que medida o houve.


Os sinais de consentimento, para melhor explicarmos este ponto importante, vejamos então, os sinais de não consentimento, de consentimento imperfeito e de pleno consentimento.


a) Pode-se assentar que não houve consentimento, se, a despeito da sugestão e do prazer instintivo que a acompanha, a alma sente descontentamento, desgosto de se ver assim tentada, se luta para não sucumbir, se na parte superior sente um vivo horror do mal proposto.


b) Pode-se considerar que o consentimento é imperfeito.

1. Quando se não repele a tentação tão prontamente como se dá pelo seu caráter perigoso; há nisto uma falta de imprudência que, sem ser grave, expõe ao perigo de consentir na tentação.

2. Quando se hesita um instante: desejar-se-ia provar um pouco prazer vedado, mas não se quereria oferender a Deus; em suma, após um momento de hesitação, repele-se a tentação; também aqui há pecado venial de imprudência.

3. Se não se rechaça a tentação senão a meias; resiste-se, mas com indolência, incompletamente; ora semi-resistência é semi consentimento: falta venial.


d)O consentimento é pleno e inteiro, quando a vontade, enfraquecida pelas primeiras concessões, se deixa arrastar a saborear voluntariamente o prazer mau, sem embargo dos protestos da consciência que reconhece o mal. Então, se a matéria, é grave, é mortal o pecado: pecado de pensamento ou de deleitação morosa, como dizem os teólogos. Se ao pensamento se ajunta o desejo consentido, mais grave ainda é a falta. Enfim, se do desejo se passa à execução, ou ao menos a procurar meios para por obra o mau projeto, é pecado de ação.



Nos diversos casos que acabamos de expor, há por vezes dúvidas que se elevam acerca do consentimento ou semi consentido dado. Deve-se então distinguir entre as consciências delicadas e as consciências relaxadas; no primeiro caso, julga-se que não houve consentimento, porque a pessoa de que se trata tem o hábito de não consentir, ao passo que no segundo se formará juízo inteiramente contrário.


(Fonte: Compêndio de Teologia Ascética e Mística - Apostolado da Imprensa - 1961 -)

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Catecismo Online: "Um só seu filho"




São mais profundos ainda os mistérios que esta palavra nos propõe a respeito de Jesus. Levam aos fiéis a acreditar que realmente é o filho de Deus, o verdadeiro Deus como o Pai, que o gerou desde toda a eternidade. Além disso, confessamos que é a segunda pessoa da Santíssima Trindade, perfeitamente igual às duas outras pessoas divinas. Nenhuma desigualdade ou diferença pode haver, ou imaginar-se nas três pessoas divinas, porque em todas elas reconhecemos a existência de uma só natureza, de uma só vontade e de um só poder.





Esta verdade se nos atola em muitos lugares da sagrada escritura. O mais claro, todavia, é o testemunho de São João: "No princípio era o Verbo, e o verbo estava junto de Deus".



Ouvindo, porém, que Jesus é o Filho de Deus, não se deve imaginar algo de terreno ou mortal em sua geração. O ato pelo qual o Pai gera ao filho desde toda a eternidade, não podemos absolutamente perceber com a inteligência, e muito menos compreendê-lo de maneira adequada. Devemos, entanto, acreditá-lo com firmeza, e adorá-lo com maior devoção de nossa alma. Como que arrebatados de admiração pelo mistério, cumpre-nos exclamar com o Profeta: "Quem poderá sua Geração?" (Isaías 53,8).



Deve crer-se, portanto, que o filho tem a mesma natureza, o mesmo poder, a mesma sabedoria que o Pai, conforme o confessamos mais explicitamente no Sínodo de Nicéia: "E em Jesus Cristo, Filho Unigênito de Deus, Luz da Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado não criado, da mesma substância de Deus Pai, e na qual todas as coisas foram feitas."


De todas as comparações feitas, para explicar o modo e a razão de ser desta geração eterna, nenhuma parece ser tão próxima da realidade, como aquela que se tira da formação do pensamento em nosso espírito. Por isso, São João dá o nome de Verbo ao Filho de Deus (Jo 1,1).


Como nossa mente, reconhecendo-se até certo grau, concebe uma imagem de si mesma, que os teólogos chamam de "Verbo"; assim também, quanto as coisas humana podem comparar-se com as divinas, Deus, reconhecendo-se a si mesmo, gera o Verbo Eterno.


No mais, é preferível comtemplar simplesmente o que a fé nos propõe, e crer e confessar, com sinceridade, que Jesus é verdadeiro Deus e Verdadeiro homem. Como Deus, foi gerado pelo Pai antes de todos os séculos; como o homem, nasceu no tempo, de sua Mãe a Virgem Maria.



Postos que nele se deve admitir um duplo nascimento, cremos todavia que é um só filho. Sendo, pois, uma só pessoa, na qual se unem as naturezas divinas e humanas.

Da parte da geração divina, Cristo não tem irmãos e nem co-herdeiros, visto ser ele o filho único de Deus Pai, enquanto nós homens somos apenas uma formação e obra de suas mãos.

Se entanto considerarmos sua origem humana, que não só dá a muitos o nome de irmãos, mas os trata realmente como tais, para que com ele alcance ao mesmo tempo a glória da herança paterna. São os que pela fé receberam Cristo Nosso Senhor, e por obras de caridade comprovam a fé que professam de boca. Eis porque o apóstolo lhe chama: "Primogênito entre muitos irmãos"(Rom 8,29).



(Fonte: Catecismo da Igreja Católica - Ed. Vozes - 1962)

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Liturgia: As partes que compõe as igrejas dos primeiros séculos



Vestíbulo: O Nártex exterior, onde passavam os plangentes, desapareceu na hora que, sendo cristãs as populações, as Igrejas podiam ter entradas diretas, abrindo no largo da Matriz. O Reservatório, ou fonte sagrada, colocado no meio do pórtico, foi na mesma época substituído pela pia de água benta, que a princípio se punha na parte de fora, junto das portas, depois no interior da Igreja perto da entrada. O Campanário que não havia na basílica antiga. Nos princípios do cristianismo, os fiéis eram convocados peara os ofícios pelos diáconos que visitava cada domicílio. Mesmo após as perseguições, é provável que até o século VI não houvesse sinos, nem outro qualquer instrumento que chamasse a atenção dos fiéis. No começo, quando começou a ser adotado, os campanários eram construções independentes da igreja, situadas a distância, e que depois com o tempo fora anexado aos edifícios.


Nem sempre houve a existência de Batistérios. Para administrar o sacramento do Batismo, aproveitava-se águas de fontes e dos rios. No tempo das perseguições o batismo era administrado nos cemitérios. No tempo de Constantino foram construídos edifícios separados para o Sagrado batismo. Tais edifícios eram chamados de "Ecclesiae baptismales", Igrejas Batismais, ou Batistérios. O uso de Batistérios separados das Igrejas perdurou até o século VIII, isto é, até que se generalizou o batismo de crianças. Antes reservadas as festas solenes (Epifania, Sábado Santo e Vigília de Pentecostes), fora também realizado outros dias.



A Nave nos primórdios do cristianismo, dava a impressão de um navio. O símbolo deste elemento é muito aparente, pois a Igreja é a sociedade de fiéis, comparável a nau no alto do mar, velejando para o porto da eternidade, através das ondas encapeladas deste mundo.



As absides, nas origens, depositavam-se em sarcófagos venerando os santos. Por cima edificavam altares. Pelo século IX, começaram a retirá-los dos túmulos fixos e guardá-lo em urnas, de forma que pudessem ser facilmente transportados.



A Sacristia é o lugar onde se guardam os vasos sagrados, os adornos da igreja, os registros do batismo, casamentos e óbitos e em que os sacerdotes se paramentam para as funções do culto. Portanto substitui os armários colocados do lado do santuário, e o sacrário, espécie de nicho fundo situado perto do coro e no qual se recolhiam os vasos sagrados e a Sagrada Eucaristia.



O Cemitério que na era das perseguições, os cristãos dividiam em duas partes: as catacumbas, e os cemitérios descobertos, de aparência muito modesta. A partir do século IV, não se aproveitam as catacumbas mais para inumações. Os sepultamentos se davam ao redor das confissões dos mártires para o Bispo e depois aberto para pessoas ilustres e de alta posição social. No século V, as sepulturas em basílicas urbanas já era um caso muito freqüente. O papa Pelágio II, no século VI, julgou isso um abuso intolerável e proibiu as inumações em lugares santos.
Nartéx: Em templos cristãos primitivos (como, p. ex., em basílicas), pórtico ger. situado num dos lados do átrio ou num pátio externo, circundado por ambulatórios [v. ambulatório (5)], e reservado a catecúmenos, penitentes e mulheres; exonártex. 2.Em templos cristãos primitivos (como, p. ex., em basílicas), vestíbulo interior us. para o mesmo fim que o nártex (1); esonártex. 3.Vestíbulo que conduz à nave central de uma igreja.
Vestíbulo: 1.Espaço entre a rua e a entrada de um edifício. 2.Porta principal. 3.Espaço entre a porta e a principal escadaria interior:
Abside: 1.Qualquer recinto abobadado, cuja planta é semicircular ou poligonal. 2.Nas basílicas romanas, o nicho semicircular e abobadado onde se achava o assento do juiz. 3.Nas basílicas cristãs e noutros tipos de igreja, a cabeceira do templo, onde fica o altar-mor. 4.Oratório reservado, por detrás do altar-mor.
Nicho: 1.Cavidade ou vão em parede ou muro para colocar estátua, imagem ou qualquer objeto ornamental; charola.

domingo, 2 de setembro de 2007

14º Domingo depois de Pentecostes: "Salomão jamais se vestiu com um desses lírios" (Ev.)

O Espírito Santo, que a Igreja recebeu no dia de pentecostes, formou em nós o homem novo que se opõe e procura destruir as inveteradas tendências do homem velho, que são as intemperanças da carne e busca insaciável das riquezas para satisfazer. O Espírito de Deus, o espírito de liberdade que habita em nós torna filhos do pai e irmãos de Nosso Senhor Jesus Cristo, segrega-nos da servidão ignóbil do pecado, porque os que pertencem a Jesus Cristo, crucificaram a própria carne com os seus vícios e baixeza. Caminham em oposição irredutível com o espírito.


Convencido da verdade evangélica de que ninguém pode servir a dois senhores, o cristão põe-se de guarda contra si mesmo, contra as velhas paixões amortecidas talvez nas cinzas funerárias do velho homem, não vão às vezes ressuscitarem. "O que se deixa escravizar pelos bens deste mundo, diz Santo Agostinho, está as ordens de um senhor duro e terrível. Está debaixo da tirania do demônio. Sem dúvida, ele não o ama, pois quem é que pode amar o demônio? Todavia suporta-o. Por outro lado, também não odeia a Deus. Ninguém odeia a Deus no fundo da sua consciência. No entanto despreza e não o teme, como se estivesse seguro de está perdoado. Mas o Espírito Santo põe-no de atalaia contra estes perigos, quando nos diz pelo profeta que a misericórdia de Deus é infinita e que sua paciência nos convida a penitência. Se alguém pois quer amar a Deus em sinceridade e verdade, se alguém tem o desejo normal de ser feliz, considere a sentença do Senhor, procure em primeiro lugar o reino de Deus, e tudo mais virá por acréscimo."



Evangelho de Domingo:



Continuação do Santo Evangelho de Jesus Cristo, segundo São Mateus: Naquele tempo disse Jesus a seus discípulos: Ninguém pode servir a dois Senhores ao mesmo tempo, porque ou odiará um e amará o outro, ou há de se afeiçoar a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e a riqueza. Portanto vos digo: Não andeis (demasiadamente) inquietos, nem o com o que (vos é preciso) para alimentar a vossa vida, nem com o que (vos é preciso) para vestir o vosso corpo. Porventura não vale mais a alma do que o alimento, e o corpo mais do que o vestido? Olhai para as aves do céu, que não semeiam, nem ceifam, nem fazem provisão nos celeiros, e contudo vosso Pai Celeste as sustentam. Por ventura não sois vós muito mais do que elas? E quais de vós, por muito que pense, pode acrescentar um côncavo a sua estatura? E por que vos inquietais com o vestido? Considerai como crescem os lírios do campo; eles não trabalham nem fiam. E digo vos todavia que nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu jamais com um lírio deste. Se pois Deus veste assim uma erva do campo, que hoje existe, e amanhã é lançada no forno, quanto mais vós, homens de pouca fé! Não vos aflijais pois dizendo: O que comeremos, ou o que beberemos, ou com que nos vestiremos? Porque os pagãos procuram com (excessivo cuidado) todas essas coisas. Vosso pai sabe que tendes necessidade de todas elas. Buscai pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e sua Justiça, e todas estas coisas vos serão dadas em acréscimo.



Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.