sexta-feira, 13 de julho de 2007

Teologia Ascética e Mística: A Ira




A ira é uma aberração do sentimento instintivo que nos leva a defender-nos, quando somos atacados, repelindo a força com força. Diremos: 1º a sua natureza; 2º a sua malícia; 3º os seus remédios.


A ira considerada como paixão, é uma necessidade violenta de reação, determinada por um sofrimento ou contrariedade física ou moral. Esta contrariedade desencadeia uma emoção violenta que distende as forças no intuito de vencer a dificuldade: sente-se então impulsos de descarregar a cólera sobre pessoas, animais ou coisas.


A ira considerada como sentimento, é um desejo ardente de repelir ou castigar um agressor. Há uma cólera legítima, uma santa, indignação, que não é senão o desejo ardente, mas racional, de infringir aos criminosos o justo castigo. Foi assim que Cristo Nosso Senhor entrou em justa cólera contra os vendilhões do templo, que com seu tráfico contaminavam a casa de seu Pai; o sumo sacerdote Heli, pelo contrário, foi severamente censurado por não ter reprimido o mau procedimento de seus filhos.


Mas a cólera, que é vício capital, é um desejo violento e imoderado de castigar o próximo, sem atender as três condições indicadas. Muitas vezes é a cólera acompanhada de ódio, que procura não somente repelir a agressão, mais ainda tirar pela vingança; é um sentimento mais reflectivo, mais duradouro, e que por isso mesmo tem mais graves conseqüências.
Quando a cólera é simplesmente um movimento transitório de paixão, é de sua natureza pecado venial: porque então há excessos na maneira ao qual ela se exerce, neste sentido que ultrapassa a medida, mas não há, assim o supomos, violação das grandes virtudes da justiça e da caridade. Contudo há casos em que é tal o excesso, que o colérico perde o domínio de si mesmo e se deixa arrastar por graves insultos contra o próximo.


A cólera, que chega a ódio e rancor, quando é deliberada e voluntária, é pecado mortal de sua natureza, porque viola gravemente a caridade e muitas das vezes a justiça. É neste sentido que N. Sr. Jesus Cristo disse: "Todo aquele que irar contra seu irmão, será réu no juízo. E o que disser a seu irmão: raca (idiota, pateta, mentecapto, bobo), será réu no conselho. E o que lhe chama insensato, será réu do fogo do inferno". Mas se o movimento de ódio não é deliberado, ou se não se lhe dá consentimento imperfeito não passará de leve falta. Os efeitos da cólera, quando não são reprimidos são às vezes terríveis.


Sob o aspecto da perfeição, é a ira, diz São Gregório, um grande obstáculo ao progresso espiritual. É que, de fato, se não reprimimos, faz-nos perder: 1º a sabedoria ou a ponderação; 2º a amabilidade, que faz o encanto das relações sociais; 3º a preocupação da justiça, porque a paixão impede de reconhecer os direitos do próximo; 4º o recolhimento interior, tão necessário a união íntima com Deus, à paz da alma, à docilidade, às inspirações de graças.
Para prevenir a cólera, é bom a costumar-nos a refletir, antes de fazer qualquer coisa, para nos não deixarmos dominar pelos primeiros ímpetos da paixão. Para melhor sofrer a ira, é útil divertir a atenção, isto é, pensar em qualquer coisa diversa do que possa reanimá-la; é necessário, pois, desterrar as lembranças das injúrias recebidas. Devemos invocar o auxílio de Deus, quando nos vemos agitados pela cólera, à imitação dos apóstolos, combatidos pelo vento e tempestade no meio do mar, porque Deus mandará às nossas paixões que sosseguem e sobreviverá a grande tranqüilidade.


(Fonte: Compêndio de Teologia Ascética e Mística - 1961 - Apostolado da Imprensa)

quinta-feira, 12 de julho de 2007

Atualidades: Novo documento veio confirmar a verdade sempre pregada pela Igreja: “Fora da Igreja católica não há salvação”!


Após a publicação de um documento, autorizando que os padres da Igreja voltassem a celebrar a missa no rito tradicional sem haver a necessidade de uma jurisdição episcopal, o Papa Bento XVI veio publicar um novo documento no qual reafirma uma verdade que a Igreja sempre afirmou ao mundo: que a Igreja Católica é a única Igreja de Cristo, seu fundador. Tal publicação gerou polêmica e reações contrárias de outras denominações ditas cristãs. Com certeza não se esperava elogios e nem aplausos sobre este documento, mas a medida com que foram proferidas as manifestações contra a Esposa de Cristo, demonstram a grande hostilidade do mundo atual as verdades da fé cristã. Desde sua origem a Igreja de Cristo sofreu ataques, tanto de inimigos externos quantos de inimigos que surgiram em grande maioria no seio da própria Igreja. Uma das primeiras heresias a ser enfrentada, foi nomeada de heresia dos judaizantes, composta de judeus convertidos ao cristianismo, no qual queriam impor a doutrina mosaica da circuncisão aos pagãos recém-convertidos. No primeiro concílio ecumênico da Igreja (concílio de Jerusalém por volta do ano 48 d.C. – At 15,5s; Gl 2,1s) fora estabelecido o fim da circuncisão, sendo considerada desnecessária para a salvação dos gentios que abraçaram a fé cristã. Percorrendo os séculos de história do cristianismo verifica-se, o surgimento de muitas outras heresias desde a era apostólica até os dias atuais. Outras heresias surgiram para “chacoalhar” as estruturas dos muros da Igreja, como fora à heresia do Arianismo (século IV) que negava a divindade de Cristo. Outra grande heresia que desafiou a fidelidade da Esposa de Cristo fora à heresia da iconoclastia que surgira de uma má interpretação dos dez mandamentos sobre o culto das imagens (ressuscitada pelas mãos de Lutero no século XVI). Tal heresia que surgira nos séculos VIII e IX foi de grande importância para a Igreja Ortodoxa que enfrentou fielmente este grande mal. Um grande evento fora realizado na Igreja no século XIII, quando a Igreja enfrentava uma crise de relações políticas e religiosas com o rei da França Felipe o belo. Tal evento seria o lançamento de dois grandes documentos da Igreja promulgado pelo papa Bonifácio VIII, no jubileu do ano 1300, estes dois documentos eram o Clericis laicos e a grande bula papal Unam sanctam. O documento da bula Unam Sanctam diz que fora da Igreja não há salvação, exceto casos em particular de lugares onde a fé não teria sido ainda pregada, onde o indivíduo teria uma graça especial, caso em sua vida tivesse sido fiel a lei natural imposta pelo criador ao corações dos homens, leis estas que estão presentes na maioria das religiões (exemplo: não matar, não roubar, não cometer adultério, etc.). O papa compara a Igreja como a arca de Noé, no qual, somente se salvaram do grande dilúvio os que estavam na arca.

Séculos mais tarde após outras heresias enfrentadas pela Igreja, guardiã e depósito da fé, surge a “reforma” protestante. Liderada por Martinho Lutero que considerava “venda de indulgências” o fato dos fiéis depositarem donativos para financiar as reformas da basílica de São Pedro em Roma, de forma que, ao realizar este ato de esmola era concedido indulgências de acordo com as normas prescrita para a concessão. Diferentemente do que muitos livros de história divulga ser a indulgência, esta não se trata de perdão dos pecados mas sim das penas temporais prevista a quem os cometem. As penas temporais, como a doutrina da Igreja descreve, trata-se de uma condenação imposta pelo pecado venial (no caso do pecado mortal a pena concedida é a morte eterna, somente com a confissão são redimidos a pena mortal e a culpa). As penas temporais podem ser eliminadas ou liquidadas através de orações, jejuns e abstinências, esmola (caridade) ou pela concessão da própria Igreja que em ocasiões especiais (romarias, visita a cemitérios e Igrejas, Jubileu, etc.) concede a remissão das penas das almas em alto estado de graça.

A pseudo-reforma protestante surgira em uma época que já se encontrava hostil ao cristianismo (humanismo versus teocentrismo) e práticas medievais da Igreja naquele período. Por isso o grande êxito alcançado por esta revolta contra a hierarquia e as instituições da Igreja. Um exemplo da hostilidade seria o fato do nascimento da burguesia que necessitava crescer através do lucro, lembrando que a Igreja católica desde tempos remotos condenava o lucro considerando-o como pecado de usura, daí o apoio em massa da burguesia ao movimento protestante. Muitos príncipes e reis não aceitava que grandes porções de terra pertencia a Igreja (porções esta que a Igreja ganhava como doações e com o tempo forma se acumulando) em seu território e muitos uniram-se com os protestantes contra a supremacia da Igreja. Um exemplo mais do que clássico fora a do rei da Inglaterra Henrique VIII que para poder se casar novamente, contrariando um mandamento de Cristo e da Igreja fundou sua própria Igreja (Henrique VIII teve seis). Para combater a “reforma” protestante a Igreja se reuniu num dos maiores concílios de sua história, o Concílio de Trento no século XVI. Neste concílio a Igreja condenou firmemente o movimento protestante e estabeleceu reformas profundas dentro da própria instituição. Uma destas reformas fora a criação dos seminários para que os padres fossem melhores preparados para exercer o ofício de sacerdotes. Uma das mais distorcidas medidas tomadas pela Igreja para combater tal mal fora a retomada do tribunal do santo ofício que encarregava de condenar os hereges e seus ensinamentos contrários a fé.

Vendo a trajetória da Igreja ao longo destes dois mil anos de cristianismo é notável observar que ela sempre foi alvo de ataques internos e externos, lembrando que também não tratamos da perseguição religiosa imposta pela revolução francesa, revolução comunista e a revolução cultural do século XX. Não é de se estranhar num mundo extremamente hostil ao cristianismo e as verdades de fé cristã se oponha as declarações da esposa de Cristo. O movimento protestante continua nos nossos dias e arrasta muitos fiéis a perderem a alma com doutrinas humanas contrárias aos ensinamentos de Cristo confiado a sua Igreja. Hoje é extremamente assustador o número de denominações ditas cristãs, existentes e que são fundadas a todo ano. Existe os mais variados gostos de seitas, desde as que se demonstram extremistas até as mais liberais que exaltam os extintos e a sensualidade. Muitos se posicionaram contra a medida do papa, por ser firmemente contra a Igreja Católica, enquanto outros dentro da própria igreja (muitos desinformado e desinteressados de conhecer a doutrina de sua própria religião) se posicionaram contra por levar em conta o aspecto emocional e não o racional. É muito claro que na atualidade os homens em sua grande maioria preferiram adorar a um “deus falso” moldado de acordo com seus interesses, criando religiões que estejam mais de acordo com seus desejos, do que o trabalho de defender a verdade que somente podem ser tomadas pelos verdadeiros fiéis que não deixa levar pelo sabor do egoísmo humano.

terça-feira, 10 de julho de 2007

Atualidades: Por que a liberação da missa tridentina gerou tantos protestos e reações?




O Papa Bento XVI surpreendeu o mundo católico ao divulgar no final de junho um documento, no qual ele em sua autoridade de chefe visível da Igreja, libera aos padres sem nenhuma jurisdição, a celebrar missa no rito de São Pio V promulgado no concílio de Trento no século XVI. Tal aprovação do Sumo Pontífice gerou reações tanto de católicos esquerdista quanto de judeus. Qual seria o motivo pelo qual essas pessoas que inclui bispo da própria Igreja a reagir contrário a essa determinação?
Primeiramente resumindo sobre a missa no rito tradicional, não resume apenas no fato de uma missa celebrada em latim (língua oficial da Igreja), mas se trata de um rito de missa celebrado por mais de mil anos, e que, só foi oficializado e uniformizado no concílio de Trento no século XVI. A missa no rito tradicional tem em sua essência o caráter sacrifical, no qual remonta a estrutura dos sacrifícios da antiga aliança, sendo que, neste caso o sacrifício é o próprio Cristo. O sacerdote com o povo direcionado em uma única referência (versus Dei), celebra a missa em grande parte de costa para os fiéis. Neste rito é observado também um número bem maior de reverência ao santíssimo sacramento (o corpo e o sangue de Cristo), e outros elemento característicos de um sacrifício, além de orações compostas durante séculos de Cristianismo que com a reforma foram abandonados pela liturgia nova. As reformas do concílio Vaticano II modificaram de tal forma a estrutura da missa que ela passou a ter um caráter de “ceia judaica” e não mais de um sacrifício. Revoltados com tais mudanças que não correspondiam mais à fé Católica muitos fiéis e clérigos não aceitaram as mudanças proposta pelo concílio e continuaram a celebrar a liturgia de modo tradicional. O bispo francês Dom Marcel Lefebvre liderou um grupo de católicos incluindo bispos e padres para formar a Fraternidade sacerdotal São Pio X que zelava pela antiga liturgia. Esse determinado grupo teria sido excomungado pelo papa João Paulo II por ter celebrado uma sagração episcopal sem autorização do Vaticano, o que foi interpretada como crime canônico.
Apesar dos esforços de muitos Bispos e padres que não aceitaram as mudanças proposta pela Igreja sob a liderança do Papa Paulo VI, a reação antitrento foi esmagadora, principalmente na América latina, onde, uma onda Marxista tentava modificar a interpretação do evangelho a luz da doutrina socialista. Os malefícios trazidos por tal interpretação foram motivos para que o vaticano reagisse no papado de João Paulo II, no qual foram condenados por este mesmo pontífice. Após a onda da chamada teologia da libertação que dessacralizou o catolicismo existente na América Latina, uma onda pentecostal invade o seio da Igreja, a chamada Renovação Carismática Católica. Tal movimento que teve sua origem nos movimentos pentecostais protestantes americanos serviu de quebra ao materialismo imposto pelos “tls”, mas condicionou a Igreja a uma “modernização” dos meios tradicionais de evangelização, que acabou em grande parte com a verdadeira essência da espiritualidade ensinada pela Igreja em dois mil anos de história.
Após tantas ondas que abalaram os muros da Igreja de Cristo, não é de se estranhar que a retomada às origens venha causar tanto furor e reações contrárias. O mundo ocidental vive em crise de fé, causada pelo pluralismo e relativismo existente. A idolatra da democracia e busca do lucro a qualquer preço tem feito de vítima a própria sociedade contemporânea em sua nefasta ideologia demagógica. A busca da riqueza a qualquer preço se tornou o objetivo de vida de muita pessoas, que muitas das vezes tentam a qualquer preço crescer, nem que tenham que apelar pela ilegalidade e pela imoralidade. A busca de satisfazer os prazeres carnais até o mais deplorável deles é justificada como um direito do cidadão. Um crime pode se tornar lei graças à tão “idolatrada” democracia, o que é algo que fere a razão humana em sua integridade. Crimes contra a moral e contra a inocência se tornam a cada dia, principalmente incentivado pelos órgãos de mídia, algo de banal e justificável ao modo de ser do homem moderno, “livre para expressar seus sentimento e desejos”. Os espaços que ganham as prateleiras de livros com esoterismo e livros de auto-ajuda demonstram a falta de bom senso e a instabilidade emocional e racional de uma sociedade que ignorou suas raízes cristãs e seus conceitos que foram à base para a formação de grandes sociedades e civilizações do passado. Num mundo que ignorou o equilíbrio e a busca da perfeição como objetivos supremos de vida não é de se estranhar que alguns ainda tenham a infelicidade de reafirmar que estamos no rumo certo.
Algo de lógico é realmente reconhecer que o mundo no passado também teve seus erros, mas é mais coerente reconhecer que nestas sociedades se buscava o caminho glorioso do bem, e da justiça para aperfeiçoar o homem e a civilização de um modo geral. Reconhecer que o homem na sua atualidade fez grandes prodígios e mudanças importantes são algo realmente legítimo, mas o torna mais legítimo reconhecer que tais mudanças não foram suficientes e nem totalmente coerente com a verdade e com a moral. Tornando realmente o “tão admirado” mundo ocidental com sua “democracia” e “liberdade’ uma superficialidade gritante para olhos atentos e sensatos de quem se deixa guiar pelos olhos da razão humana. Devemos sim continuar a progredir mas temos muito que aprender com nossas raízes cristãs a buscar um mundo mais justo e perfeito para nós e nossos descendentes”.
Concluindo, chegamos a um ponto no qual compreendemos o porque de tanta reação contrária à liberação da missa no rito tradicional. Isso representa um olhar para o passado onde fica mais claro e aberto as nossas feridas. A Igreja desde o concílio até hoje só perdeu em sua liturgia e qualidade de fiéis. Escândalos no clero, missa sacrílegas, falta de apelo missionário que impede até de evangelizar os índios, crescimento das seitas e das filosofias orientais são sinais claros de uma sociedade doente e necessitando reaver seus conceitos. Criticas de outras religiões são algo mais que ignóbil e sem sentido, mas ao mesmo tempo algo de compreensível já que se trata de membros não ligados ao corpo místico de Cristo e que não tem nenhuma competência e autoridade para tais manifestações. Quando a reação parte dentro das autoridades eclesiásticas que são subordinadas a autoridade do bispo de Roma, já se torna algo realmente preocupante e de questionamento sobre o comportamento de certas autoridades eclesiásticas.
(Fotos: 1ª gravura de uma missa celebrada no rito tradicional; 2ª Bispo francês Dom Marcel Lefebvre; 3ª Papa Bento XVI - foto de o globo online)

domingo, 8 de julho de 2007

6º Domingo depois de Pentecostes


Um grande pensamento domina toda a liturgia de hoje: a necessidade de destruir o pecado por meio de um arrependimento sincero, e de pedir a Deus a graça de não cair novamente nele. É pelo Batismo que morremos para o pecado e é na Eucaristia que encontramos as forças necessárias para podermos caminhar sem desfalecer no caminho da virtude. A Igreja impregna ainda do pensamento destes dois sacramentos que conferiu aos fiéis na Páscoa e no dia de Pentecostes, e continua a falar deles neste tempo.

Na Epístola São Paulo nos recorda com insistência, que, uma vez mortos para o pecado, no Batismo, devemos viver a vida nova, a vida que é sem pecado e que vem de Deus. Caso venha ocorrer que caindo em pecado, estando então na grande desgraça de nos despojar dessa vida nova, deveremos então recorrer aos pés de Deus implorar o seu perdão para continuarmos a louvá-lo em torno do altar. Deus não deixará de ouvir a nossa prece e de firmar os nossos passos na vereda dos seus mandamentos, porque ele diz que é a coragem, o escudo e o guia de seu povo. O Evangelho, finalmente, aponta-nos a fonte divina aonde devemos beber a força de que precisamos para seguir o Senhor até ao Céu sem desfalecer pelo caminho.

A multiplicação dos pães é com efeito figura da Eucaristia, que é viático para todos nós, não apenas no fim da vida quando se empreende a viagem para ó além, mas durante a vida toda. Ela aperfeiçoa a graça do Batismo, dando-nos força para não cair, e alentando e desenvolvendo a vida de Deus em nós até desabrocharmos na plenitude da pátria aonde vamos.

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Teologia Ascética e Mística: A Inveja



A inveja é, ao mesmo tempo, paixão e vício capital. Como paixão, é uma espécie de tristeza profunda que se experimenta na sensibilidade à vista do bem que se observa nos outros; esta impressão é acompanhada de uma contrição do coração que lhe diminui a atividade e produz um sentimento de angústia.

A inveja é uma tendência a entristecer-se do bem de outrem, como se fosse um golpe vibrado à nossa superioridade. Muitas das vezes é acompanhada do desejo de ver o próximo privado do bem que nos faz sombra.

Nasce pois, do orgulho este vício, que não pode tolerar superiores nem rivais. Quando um está convencido da própria superioridade, entristece-se ao ver que outros são tão bem ou melhor dotados que ele, ou que ao menos alcançam maiores triunfos. O objeto da inveja é sobretudo as qualidades brilhantes; contudo em homens sérios também o podem ser qualidades sólidas e até virtude.

Manifesta-se este defeito pela mágoa que um sente, ao ouvir louvar os outros; e então procura-se atenuar esses elogios, criticando os que são louvados. Muitas das vezes confunde-se inveja com ciúme; quando se distinguem, define-se este como um amor excessivo do seu próprio bem, acompanhado pelo temor de nos seja arrebatado por outros.

A inveja em si é um pecado mortal, de sua natureza, porque é diretamente oposto a virtude da caridade, que exige que nos regozijemos com os bens de outrem. Nos seus efeitos a inveja muitas das vezes incita a odiar aqueles que são objetos da inveja ou ciúme, e por conseqüência, de falar mal deles, de os desacreditar, caluniar, ou de lhes desejar o mal. Além do ódio a inveja tende a semear divisões até no seio da família (recorde-se da história de José), ou entre famílias aliadas; e estas divisões podem ir muito longe e criar inimizades e escândalos. A inveja impele à conquista imoderada das riquezas e das honras, já que para sobrepujar aqueles a quem tem inveja, entrega-se o invejoso excesso de trabalhos, a manobras mais ou menos leais, em que se encontra comprometida a honradez. Perturbando a alma do invejoso, este pecado, não dá sossego e nem paz, enquanto que não se consegue eclipsar, e dominar os próprios rivais.

Os remédios para esse terrível mal consistem em desprezar os primeiros sentimentos de inveja e ciúme que se levantam no coração, e os esmagar como coisa ignóbil, a maneira de quem esmaga um réptil venenoso; em divertir para outra coisa qualquer; depois de restabelecido o sossego, refletir então que as qualidades do próximo não diminui as nossas, antes nos são incentivo para as imitarmos.
(Fonte: Teologia Ascética e Mística - Livraria apostolado da imprensa - 1962)

terça-feira, 3 de julho de 2007

Catecismo Online: Em nome do Pai...



No Símbolo, vemos a seguir a palavra "Pai". Ora dar-se a Deus nome de "Pai" sob vários pontos de vista. Necessário pois, explicar primeiro o sentido, que lhe cabe este lugar.


Ainda que a fé não alumiasse suas trevas, chegaram alguns a reconhecer que Deus é uma substância eterna, da qual tiveram origem todas as coisas, e cuja providência tudo governa, e tudo conserva em sua ordem e posição.


Assim como chamamos de pai a quem funda uma família, e a dirige com critério e autoridade, assim quiseram eles, por analogia chamar de Pai, a quem reconheciam como criador e governador de todas as coisas.


A sagrada escritura emprega o termo também no mesmo sentido. Falando de Deus, devemos lhe atribuir a criação, o domínio e a admirável provisão de todas as coisas (Deut 32,6).


Pelo nome de Pai, a revelação nos permite entrever aos poucos o que se acha profundamente oculto e encerrado naquela "luz inacessível onde Deus habita (Hebr 2,11)", mistérios que a perspicácia do espírito humano não podia certamente atingir, nem tão pouco suspeitar.


O termo indica que, na unidade da natureza divina, não podemos crer na existência de uma pessoa, mas de várias pessoas realmente distintas.
(Fonte: Catecismo da Igreja Católica - 1962 - Ed. Vozes)

domingo, 1 de julho de 2007

5º Domingo depois de Pentecostes


A liturgia deste domingo nos ensina o modo como devemos perdoar as injúrias e, como no anterior, tem aqui esta doutrina dois elementos por base: a história de Davi que continua a ler-se no breviário e uma passagem da Epístola de S. Pedro cuja festa celebramos nesta semana.

Uma grande lição de caridade se desprende destas considerações e compreendemos agora a escolha do Evangelho e da Epístola que nos pregam ambos o dever impreterível de perdoar. "Sede pois unânimes na oração e não deis mal por mal, nem ultraje por ultraje", diz a Epístola. "Se apresentares a tua oferta no altar, diz o Evangelho, e te lembrares de que o teu irmão tem algo contra ti, deixa diante do altar a tua oferta e vai reconciliar-te primeiro com teu irmão". A comunhão da missa exprime os sentimentos de Davi ao apoderar-se da cidade de Sião e mandar colocar nela a Arca do Senhor. Isto foi a recompensa da sua invencível caridade, dessa virtude indispensável para que o culto tributado a Deus pelo homem no templo santo lhe seja verdadeiramente agradável. A Epístola e o Evangelho salientam o que é sobretudo quando nos reunirmos para orar que mais nos devemos unir. O melhor meio para alcançar esta virtude é o amor de Deus e desejo veemente dos bens eternos e da felicidade que reina na corte do Deus vivo, onde se entra senão pela porta estreita da renúncia e da abnegação cristã.